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[:pt]Wang Yingfan: É preciso mais esforços para a paz na Ásia[:]

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Quando nos deparamos com o noticiário no continente asiático, vemos que mais de 60% deles falam sobre o tema da segurança regional, mas, em boa parte, uma segurança hipotética, baseada em especulações sobre conflitos pontuais que envolvem atores comuns, principalmente a China e os Estados Unidos, tendo-se, assim, uma gigante panela de pressão no cenário internacional, aparentando que irá explodir a qualquer momento. As recentes mobilizações feitas por estadunidenses e aliados para exercícios militares simulados no continente aqueceu as discussões sobre a questão de segurança na região.

Todos os anos, militares norte-americanos e sul-coreanos realizam manobras na área da península coreana, fazem outras atividades com as forças de autodefesa japonesa e também, mais ao sul, no oceano Índico, com diversas forças aliadas. Tais ações sempre foram vistas de forma cautelosa pelas potências regionais, mas nunca ocorreu um movimento que ficasse fora do campo de especulações e de reclamações formais e verbais.

Hoje, as mesas de discussão ganham mais forças desde que chineses e russos passaram a realizar exercícios militares conjuntos e com o aumento da capacidade naval e aérea de Beijing, algo que muitos o viram como resposta ao THAAD (Sistema de Escudo Antimíssil norte-americano na Coreia do Sul), embora outros pensem no tema como uma possível ameaça, tendo em vista que os chineses tem disputas territoriais com países no sudeste asiático e poderiam usar o seu poderio para responder às Leis Internacionais que lhes negam a soberania sobre os mesmos.

Nesse início de ano (2017), os noticiários foram recheados de manchetes sobre testes de mísseis na Coreia do Norte, país que é usado como a grande justificativa para os avanços militares de japoneses, sul-coreanos e estadunidenses na região e, sem surpresas, bombardeiros B-1B da Força Aérea Norte-americana realizaram exercícios estratégicos na península coreana, além de aeronaves e submarinos que também executaram manobras na área, algo que desagrada muito a Coreia do Norte e não deixa Beijing tranquila.

Nesta semana, um antigo diplomata chinês, Wang Yingfan, em entrevista para imprensa da Coreia do Sul, afirmou que está faltando diálogo entre Seul, Beijing e Washington para evitar que em algum momento as divergências de opiniões possam mudar de rumo e se tornem um atrito real, refletido por ações militares. “A chuva já começou, mas são necessários esforços para evitar que a chuva fique mais pesada”, disse o ex-embaixador da China nas Nações Unidas, para a mídia da Coreia do Sul.

Para ele haverá algumas consequências com o THAAD e, aparentemente, já podemos ver algumas mudanças na área, basta observar o setor econômico. Neste momento as relações comerciais entre ambos países estão esfriando, incluindo no campo do turismo, ocorrendo proibição de pacotes turísticos para viajantes que desejam conhecer a Coreia do Sul e vice-versa.

A China é, hoje, uma das principais potências militares da região, junto com a Índia, quando se observam apenas seus recursos militares próprios, desconsiderando alianças, mas não seriam fortes o bastante para tentar qualquer ofensiva contra o Japão e Coreia do Sul, que somam aos seus repertórios uma efetiva parte do poderio estadunidense. Construindo um cenário sobre alguma possível ofensiva militar chinesa, isso se daria mais ao sul, sobre a ilha de Formosa (Taiwan), Filipinas e outros pequenos países que possuem atritos e divergências territoriais; para com a Coreia do Sul, a possibilidade é bem pequena, pois, historicamente, Seul e Beijing nunca foram nações inimigas e ainda compartilham de interesses comuns contra o Japão, o que deixa em aberto quem poderia ser o potencial perigo para a segurança regional e o que realmente daria um empurrão para uma nova guerra com múltiplos atores na Ásia. Seria a Coreia do Norte?

Em resposta a um repórter sul-coreano, sobre a alusão do Secretário de Estado norte-americano, Rex Tilerson, em relação aos avanços bélicos e nucleares de Pyongyang, Wang Yingfan entrou em desacordo. Alertou: “Uma opção militar, ou uma guerra, nunca deveria ser permitida … ela nos trará um enorme desastre”.

Declarou que com a Coreia do Norte a resolução tem que ser pacífica, mas não deu detalhes ou opções para a resolução do caso. O caso norte-coreano se torna uma incógnita quando se observa que nenhuma solução além de sansões econômicas são aplicadas. Chineses, russos, sul-coreanos, japoneses e estadunidenses não apresentam algum tipo de planejamento efetivo que se aproxime de um entendimento comum, seja no campo militar, seja no diplomático, resultando nas repetidas manobras militares agendadas, as quais continuam gerando especulações no passar dos últimos 15 anos.   

Tensões entre as principais potências mundiais e do continente asiático não trazem benefícios, apenas afetam negativamente a economia, uma vez que, ao se relacionarem apenas com europeus e com os Estados Unidos, as economias japonesa e coreana não se fortalecerão. A importância da China vem à tona e com ela a surge a necessidade de se criar novas políticas e renovar as atuais relações comerciais e diplomáticas. Wang e uma equipe chinesa estão em Seul para tentar apaziguar as relações comerciais e diplomáticas, pois uma estabilidade entre estas duas grandes potências será importante para a manutenção do ciclo econômico do mundo globalizado, onde não há como sobreviver de forma isolada ou com poucos parceiros.

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Imagem 1Bombardeiro B1B” (Fonte Banco livre de imagens Yonhap News):

http://spanish.yonhapnews.co.kr/national/2017/03/22/0300000000ASP20170322002700883.HTML

Imagem 2Wang Yinfan” (Fonte Banco livre de imagens Yonhap News):

http://english.yonhapnews.co.kr/national/2017/03/22/56/0301000000AEN20170322011200315F.html

Imagem 3Área portuária de Seul, Coreia do Sul” (Fonte Banco livre de imagens Yonhap News):

http://spanish.yonhapnews.co.kr/national/2017/03/22/0300000000ASP20170322003500883.HTML

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About Fabricio Bomjardim - Analista CEIRI - MTB: 0067912SP

Bacharel em Relações Internacionais (2009) e técnico em Negociações Internacionais (2007) pela Universidade Anhembi Morumbi (UAM). Atua na área de Política Econômica com foco nos países do sudeste e leste asiático, sendo referência em questões relacionadas a China. Atualmente é membro da Júnior Chamber International Brasil-China, promovendo as relações sócio-culturais sino-brasileiras em São Paulo e Articulista da Revista da Câmara de Comércio BRICS. Também atuou como Consultor de Câmbio no Grupo Confidence.

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