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[:pt]Sobre o ataque químico a Idlib: O posicionamento norte-americano[:]

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A cidade de Khan Sheikhoun, na província de Idlib, na Síria, foi palco de mais um capítulo do conflito civil que entra em seu sexto ano, produzindo mais de cinco milhões de refugiados e 400 mil mortos.

As suspeitas e acusações de uso recorrente de artefatos químicos nas ofensivas do Governo de Bashar al-Assad contra a população síria sempre foi classificado pela comunidade internacional como crime de guerra e visto uma linha tênue que pressiona para intervenções mais estruturadas por parte da coalizão liderada por países ocidentais e seus aliados árabes. Contudo, conforme vem sendo relatado por entidades internacionais, este ataque é apenas o último dos já produzidos pelo regime Assad, desde 2014.

De acordo com a Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPCW, na sigla em inglês) e o Mecanismo Conjunto de Investigações da Organização das Nações Unidas (JIM, na sigla em inglês), as Forças Armadas da Síria foram responsáveis por três ataques com armas químicas em 2014 e 2015. Em parte, essas ofensivas envolveram o uso de helicópteros, equipamentos que apenas o regime sírio possui e servem para despejar munições carregadas com barris de cloro.

A organização humanitária Human Rights Watch, em recente documento verificado, também concluiu que houve ao menos oito outros ataques químicos entre novembro e dezembro de 2016, associados, em sua maioria, aos ataques do Governo à região de Aleppo. Da mesma forma, a Missão de Investigação da OPCW na Síria, também registrou os mesmos supostos oito ataques.

Na perspectiva humanitária, o cenário se torna mais alarmante, segundo especialistas em segurança internacional, pois as vítimas destes ataques concentram grandes traumas psicológicos e outros riscos adicionais devastadores, principalmente para crianças e idosos. Em complemento, ainda de acordo com especialistas, o ataque químico costuma suceder uma ofensiva de cunho convencional, haja vista que a expulsão de civis de áreas abrigadas os torna vulneráveis aos bombardeios. Essa tática de duas pontas, que também não poupa alvos em hospitais, garante que os civis sitiados sintam que não há regiões seguras para se protegerem.

No que tange a esfera político-diplomática, o complexo xadrez geopolítico com diversos atores participando direta ou indiretamente do conflito possivelmente gerará desdobramentos que ampliarão os limites e criará bases que culminarão em maior esforço bélico.

Apesar da administração Trump, próxima de completar 100 dias, destacar seu pouco interesse em matéria de segurança internacional, priorizando restabelecer o papel comercial e econômico dos EUA no sistema internacional, a ofensiva contra a Base Aérea de Shayrat em Homs poderá mudar o panorama do conflito, em especial sobre os desdobramentos que Moscou poderá dar, após a intervenção estadunidense contra um aliado seu e em Zona de Influência russa.

Nesse sentido, como parte dos passos futuros a serem dados pelo presidente Trump, alguns especialistas em política e membros do alto escalão governamental em Washington acreditam que um esforço integrado com o uso de Forças Especiais em solo, ataques aéreos em instalações de infraestrutura e instalações militares, e com a inserção de investigadores no terreno para reunir provas físicas e entrevistar testemunhas e vítimas, será fundamental para que o Conselho de Segurança pressione a Síria e limite o papel de proteção de Moscou ao Governo Assad no conflito.

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* Assegurando que o registro completo desses crimes não seja perdido.

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Imagem 1 Míssil Tomahawk sendo lançado do USS Philippine Sea e do USS Arleigh Burke em alvos do Estado Islâmico” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/American-led_intervention_in_Syria#/media/File:Tomahawk_Missile_fired_from_US_Destroyers.jpg

Imagem 2 Mapa que ilustra todas as regiões já bombardeadas pela Força Aérea dos EUA” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/American-led_intervention_in_Syria#/media/File:Strikes_in_Syria_and_Iraq_2014-09-23.jpg

Imagem 3 Mapa que ilustra todas as regiões que são afetadas pelo conflito civil sírio” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Syrian_Civil_War#/media/File:Syrian_Civil_War_map.svg

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About Victor José Portella Checchia - Colaborador Voluntário

Bacharel em Relações Internacionais (2009) pela Faculdades de Campinas (FACAMP), Especialista em Direito Internacional pela Escola Paulista de Direito (EPD) e Especialista em Política Internacional pelo CEIRI (Centro de Estratégia, Inteligência e Relações Internacionais). Atuou em duas grandes multinacionais do setor de tecnologia e na área de Cooperação Internacional na Prefeitura Municipal de Campinas com captação de recursos externos, desenvolvimento de projetos na área econômica e comercial e buscando oportunidades de negócios para o município. Atualmente é Consultor de Novos Negócios na Avanth International em Campinas/SP. Escreve semanalmente sobre América do Norte com foco nos Estados Unidos.

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