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Smart Region: o desafio das metrópoles brasileiras

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Embora o conceito de Smartcity (cidade inteligente) seja aos poucos implementado nas cidades brasileiras, ainda existem muitas dúvidas em relação aos processos que envolvem esses projetos e seus resultados.

Para transformar uma cidade em uma Smartcity é necessário identificar as dinâmicas econômicas, sociais e produtivas, e promover a integração das mesmas mediante processos inteligentes capazes de gerar competitividade, aumentar a qualidade da vida e fomentar o desenvolvimento econômico, social e tecnológico da urbe a longo prazo, respeitando o meio ambiente e a sustentabilidade de todas as atividades.

Sem embargo, não somente os fatores internos são os que integram os projetos de Smartcity. Os fatores externos, tais como as condições geográficas e regionais, também são de vital importância para esses projetos.

É fato que em grandes regiões metropolitanas do Brasil e do mundo as divisas entre municípios são muitas vezes imperceptíveis e os cidadãos constroem suas vidas em uma realidade intermunicipal. Muitos moram em uma cidade e trabalham ou estudam em outra. Por esse motivo, é de vital importância que as políticas e os projetos sejam harmonizados, gerando um equilíbrio de interesses entre os diversos municípios ou cidades vizinhas.

SmartCatalonia. Integração de toda região da Catalunha

O conceito de Smart Region ou Região Inteligente surgiu em Barcelona, com o objetivo de integrar a área metropolitana da cidade catalã e posteriormente toda a região, reduzindo as assimetrias decorrentes do avanço do projeto de cidade inteligente da mesma, já que de nada serve concentrar o desenvolvimento em um ponto específico da geografia. Este conceito se estendeu por diversas áreas metropolitanas da Europa, Ásia e América.

No Brasil, embora as áreas metropolitanas sejam constituídas e reconhecidas pelas diferentes esferas de poder, a integração dos serviços está longe de ser uma realidade. O aumento da passagem dos ônibus é um caso recente da falta dessa integração, já que, ainda que haja uma conexão entre os diferentes modais de transporte, a diferença de tarifas gera assimetrias perceptíveis na realidade das pessoas e até mesmo dificulta a implementação de novos projetos, ou a expansão da rede metropolitana de transportes.

Em São Paulo, por exemplo, existe uma grande divergência entre as tarifas do transporte público e apesar de existir uma interconexão com outros municípios a mesma não é completa. Por um lado, existe o Bilhete Único (cartão de transporte que integra os ônibus municipais, trens e metrô) e, por outro, o BOM (cartão de transporte que integra os ônibus metropolitanos, trem e metrô, porém sem a integração com as linhas de transporte municipal). Dessa forma, um passageiro pode ir até Jundiaí, que fica a aproximadamente 50 km da capital, pagando apenas uma passagem de trem (R$ 4,00), porém o passageiro que mora em Guarulhos (segunda maior cidade do estado de São Paulo, cujo centro dista a 23 km da capital, havendo uma conturbação entre ambas) deve pagar um preço superior, utilizando o transporte intermunicipal, cuja tarifa varia entre R$ 4,50 e R$ 5,50.

Rede de transporte metropolitano de São Paulo

Essa falta de integração também existe em outros serviços, pois algumas cidades da área metropolitana da capital paulista possuem diferentes empresas de transmissão elétrica ou de saneamento básico, o que gera não somente assimetrias em relação as tarifas como também uma burocracia desnecessária que força o cidadão a se dividir entre a realidade do município no qual reside e a do município no qual trabalha.

O exemplo de São Paulo se repete em praticamente todas as capitais brasileiras, dificultando dessa forma a concretização dos projetos de Smartcity, já que essas diferenças municipais alimentam a desigualdade e promovem a concentração de serviços, algo contrário ao próprio conceito de cidade inteligente e de processos inteligentes. 

Uma região metropolitana deve conformar uma área inteligente e integrada e, dessa forma, evitar problemas na prestação de serviços, na divergência que existe entre a população de uma cidade e a sua demanda em determinados setores (tais como a saúde ou educação). Somente assim será possível fomentar o desenvolvimento desejado.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Principais áreas metropolitanas do Estado de São Paulo” (Fonte):

http://www.emtu.sp.gov.br/emtu/images/mapa-regioes.jpg

Imagem 2 SmartCatalonia.  Integração de toda região da Catalunha” (Fonte):

https://image.slidesharecdn.com/sergifiguerola-smartcityacitywhichappliestechnologiesmakingthecitymoreusableforcitizens-150722144949-lva1-app6891/95/smart-city-a-city-which-applies-technologies-making-the-city-more-usable-for-citizens-10-638.jpg?cb=1437576634

Imagem 3 Rede de transporte metropolitano de São Paulo” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Mapa-Rede-Transporte-Metropolitano-SP.png

                                                                                               

Wesley S.T Guerra - Colaborador Voluntário Sênior

Atua como consultor internacional na área de Paradiplomacia para o Escritório Exterior de Comércio e Investimentos do Governo da Catalunha. Formado em Negociações e Marketing Internacional pelo Centro de Promoção Econômica de Barcelona, Bacharel em Administração pela Universidade Católica de Brasília, especialista pós-graduado em Ciências Políticas e Relações Internacionais pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo – FESPSP, MBA em Novas Parcerias Globais pelo Instituto Latinoamericano para o Desenvolvimento da Educação, Ciência e Cultura e mestrando em Polítcias Sociais em Migrações na Universidad de La Coruña (España). Fundador do thinktank NEMRI – Núcleo de Estudos Multidisciplinar das Relações Internacionais. Especialista em paradiplomacia, acordos de cooperação e transferência acadêmica e tecnológica, smartcities e desenvolvimento econômico e social. Morou na Espanha, Itália, França e Suíça.

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