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OTAN decide prolongar missão no Afeganistão

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Em meados de maio de 2015, durante a Cúpula em Antalya, na Turquia, chanceleres dos países-membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) decidiram prolongar a permanência da presença militar da Organização no Afeganistão. Entre as pautas da Cúpula, foram discutidos mecanismos para reforçar a cooperação futura com Afeganistão.

Na ocasião, Jens Stoltenberg, SecretárioGeral da OTAN, declarou: “nós concordamos que vamos manter a nossa presença no Afeganistão, mesmo após o fim da nossa missão atual[1]. O SecretárioGeral da OTAN ressaltou ainda que a Organização e as Forças Armadas Afegãs fizeram um bom trabalho desde que assumiram a responsabilidade pela segurança do país no início do ano[2].

Desde janeiro de 2015, a missão Resolute Support, comandada pelo general norteamericano John Campbell, está no Afeganistão prestando assistência e treinando às Forças Armadas Afegãs e conta com a presença de aproximadamente 12.500 soldados[3].

Assim, desde o fim da Força Internacional de Assistência à Segurança (ISAF, sigla em inglês), no final de 2014, a OTAN vem treinando as forças locais. Vale lembrar que a ISAF foi criada pela Resolução do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) em 2001, em paralelo à invasão norteamericana ao país, para fornecer segurança e lutar contra o Taliban e o Terrorismo. A ISAF concluiu suas atividades em dezembro de 2014, fazendo a transição para a missão Resolute Support.

Logo, o propósito ao se prolongar a presença da OTAN no país é ajudar o Afeganistão e possibilitar que o Estado se torne mais independente e seja capaz de implantar um sistema de segurança nacional que defenda a integridade do país. Nesse sentido, Jens Stoltenberg apontou: “objetivo seria o de aconselhar as instituições de segurança afegãs para ajudá-los a tornar-se autossuficientes e construir sobre o que temos conseguido até agora, como parte de um esforço internacional mais amplo[4]. Assim, a OTAN pretende promover um novo projeto Enduring Partnership, que teria um caráter civil-militar, mas que seria liderada por civis. De acordo com Stoltenberg, esse é um projeto novo, pois até o presente, tanto a ISAF quanto a Resolute Support foram lideradas por militares[5].

A fim de justificar a permanência e ampliação da zona de influência da OTAN, Stoltenberg argumentou que “a OTAN tem aumentado sua presença militar no Oriente, bem como na região do Báltico como uma resposta direta ao comportamento assertivo da Rússia[6]. O  SecretárioGeral da Organização ressaltou: “nós temos que ter certeza de que somos capazes de defender todos os nossos aliados. Essa é a razão pela qual nós aumentamos a nossa presença militar na parte oriental da aliança. O que fazemos é defensiva. É proporcional e é totalmente em linha com os nossos compromissos internacionais[7]. Já Didier Reynders, Ministro dos Negócios Estrangeiros da Bélgica, justificou a permanência das tropas como necessária, dado que a violência no Afeganistão permaneceu de forma significativa no início de 2015, mais do que era esperado[8].

Por sua vez, Salahuddin Rabbani, Ministro de Relações Exteriores do Afeganistão, afirmou durante a Cúpula que “a atual missão Resolute Support no Afeganistão é uma oportunidade efetiva para melhorar as capacidades da força de segurança nacional afegã[9]. Rabbani também destacou que o seu país recebeu “garantias de todos os membros da OTAN de que o seu apoio vai continuar a reforçar a capacidade das forças de segurança nacional afegã[10]. E, que “nos próximos anos, eles vão estar ao lado do povo afegão[11].

Por fim, compete apontar também que em março os Estados Unidos da América (EUA) anunciaram que iriam postergar a retirada de suas tropas no país. O Governo dos Estados Unidos pretende manter cerca de 9.800 soldados até o final de 2015, mas que até 2017 não deverá mais contar com suas tropas no país[12].

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Imagem (Fonte):

http://www.nato.int/cps/en/natohq/news_119419.htm

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://www.turkishweekly.net/news/185484/nato-to-maintain-its-presence-in-afghanistan.html

[2] Ver:

http://expresso.sapo.pt/internacional/2015-05-11-NATO-quer-prolongar-presenca-no-Afeganistao

[3] Ver:

http://www.dailymail.co.uk/wires/afp/article-3080182/NATO-Afghanistan-agree-future-military-civilian-mission.html

[4] Ver:

http://www.turkishweekly.net/news/185484/nato-to-maintain-its-presence-in-afghanistan.html

[5] Ver:

http://www.dailymail.co.uk/wires/afp/article-3080182/NATO-Afghanistan-agree-future-military-civilian-mission.html

[6] Ver:

http://www.turkishweekly.net/news/185484/nato-to-maintain-its-presence-in-afghanistan.html

[7] Ver:

Idem.

[8] Ver:

http://www.dailymail.co.uk/wires/afp/article-3080182/NATO-Afghanistan-agree-future-military-civilian-mission.html

[9] Ver:

http://www.turkishweekly.net/news/185499/afghanistan-39-pleased-39-with-nato-missions-says-fm-rabbani.html

[10] Ver:

Idem.

[11] Ver:

Idem.

[12] Ver:

http://br.sputniknews.com/mundo/20150514/1016104.html

About Jessika Tessaro - Colaboradora Voluntária Júnior

Pós-graduanda do curso de Especialização em Estratégia e Relações Internacionais Contemporâneas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). É Graduanda do Curso de Políticas Públicas da UFRGS e bacharel em Relações Internacionais pela Faculdade América Latina Educacional. No presente, desenvolve estudos sobre a geopolítica e a securitização dos Estreitos internacionais e Oceanos.

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