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Obama afirma que protecionismo não é resposta aos desafios da globalização

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Na semana passada, Barack Obama, Presidente dos Estados Unidos da América (EUA), afirmou em uma publicação da revista The Economist, que a globalização pode sim gerar desigualdades, mas ressalvou que o protecionismo não é a melhor resposta a esses desafios e que os EUA devem trabalhar em conjunto com demais países para desenvolver economias fortes. Segundo Obama, apesar do mundo estar mais próspero, diversas sociedades estão marcadas pela desconfiança e incertezas.

Em seu texto, ele destacou que no atual momento os Estados Unidos enfrentam quatro grandes desafios: intensificar o crescimento da produtividade; combater a desigualdade; fornecer empregos a todos e, ainda, criar uma economia resistente. Os problemas que o país enfrenta possibilitaram que a desconfiança em relação a globalização também ganhasse território nos Estados Unidos. Assim, ressalvou que os norte-americanos podem escolher entre se refugiar em economias antigas e fechadas, ou seguir em frente, admitindo as desigualdades promovidas pela globalização e, ao mesmo passo, se comprometendo em fazer com que a economia global funcione para todos, não apenas para aqueles que se encontram no topo.

Esse também foi o posicionamento dos líderes dos países que compõem o G20 durante a reunião de Cúpula do grupo, que ocorreu no início de setembro deste ano (2016) na cidade de Hangzhou, na região leste da China. Naquela ocasião, os líderes do G20 se mostraram contrários ao retorno do protecionismo, defenderam a livre comercialização e acordaram que há necessidade de coordenar políticas macroeconômicas, entretanto foram poucas as propostas que possam atender essas demandas e os desafios da globalização.

A polarização entre apoiadores do protecionismo ou da globalização tem sido alvo de diversos debates e estudos ao longo do último século. Entre os benefícios da globalização, segundo analistas, está a melhoria da qualidade de vida após a II Guerra Mundial de países que começaram a se restabelecer através das exportações, que na década de 1950 girava entorno de 8% do PIB (Produto Interno Bruto) e que, no ano 2000, chegou a quase 20%. Essa melhoria ocorreu porque, por meio das exportações, as empresas ganharam em produtividade e eficiência, além de elevar os salários dos trabalhadores. Outro benefício desse processo diz respeito a melhoria da qualidade de vida dos imigrantes, tanto no que tange aos aspectos pessoais de suas vidas, quanto para os países de destino que contam com mais impostos e força de trabalho. No entanto, a globalização traz diversos desafios, tais como a perda de empregos na indústria local, evasão de impostos, além de muitas vezes exacerbar episódios de xenofobia contra imigrantes.

Após a votação do Brexit em junho deste ano, quando a Grã-Bretanha decidiu pela sua saída da União Europeia (UE), muito tem se discutido acerca dos rumos do sistema mundial. Para alguns estudiosos, a saída dos britânicos da UE, representa grande recuo no processo de globalização que vinha ocorrendo desde a II Grande Guerra. Nesse aspecto, conforme, Homi Kharas, vice-diretor do programa para economia mundial e desenvolvimento da Brookings Institution, essa foi a primeira vez que uma grande economia afirmou que “estamos melhor sozinhos e tomando decisões por nós mesmo” e ressaltou que isso representa um grande choque para o sistema mundial.

A globalização foi por inúmeras vezes apontada como uma via para os problemas mundiais, contudo, a crise econômica e humanitária tem exacerbado as falhas da globalização. Desde 2012, o comércio mundial cresce a uma taxa de 3% ao ano, o que representa menos da metade da taxa dos 30 anos anteriores. Para Kharas, se essa tendência continuar, os países mais pobres tem muito a perder, pois eles se beneficiaram da globalização em virtude do aumento de investimentos, melhoria nos sistemas de educação, saúde entre outros. Segundo um estudo do The Economist,  analisou 40 países, caso ocorresse o fim da globalização, os consumidores mais ricos do mundo perderiam cerca de 28% do seu poder de consumo, enquanto que os mais pobres perderiam 63% do seu poder de compra. Assim, de acordo com a revista, abandonar a globalização seria a pior decisão que líderes mundiais poderiam fazer.

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ImagemPresidente Brack Obama” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Barack_Obama

About Jessika Tessaro - Colaboradora Voluntária Júnior

Pós-graduanda do curso de Especialização em Estratégia e Relações Internacionais Contemporâneas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). É Graduanda do Curso de Políticas Públicas da UFRGS e bacharel em Relações Internacionais pela Faculdade América Latina Educacional. No presente, desenvolve estudos sobre a geopolítica e a securitização dos Estreitos internacionais e Oceanos.

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