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Internacionalização: o desafio das empresas brasileiras

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Atuar no cenário mundial se transformou no grande objetivo para diversas empresas de vários setores e portes no Brasil. O mercado internacional oferece a possibilidade de alcançar novos consumidores, obter novas tecnologias, encontrar novos parceiros e fornecedores, aumentar a competitividade da empresa e a lucratividade de suas operações.

São muitas as vantagens para as empresas que conquistam seu espaço no mercado internacional, embora também existam grandes desafios, tais como a competitividade de outras corporações, diferentes modelos de consumo, dificuldade logística e burocrática, além da necessidade de adaptação à realidade global

Por esse motivo, são muitas as empresas que falham no processo de internacionalização ou que não completam o mesmo, fazendo com que suas operações no mercado internacional sejam pontuais e normalmente em substituição do mercado interno, quando este enfrenta uma redução da demanda. As empresas acabam utilizando o mercado internacional como uma alternativa ao mercado nacional e não como uma atividade paralela, não havendo uma estratégia internacional a longo prazo nem uma expansão a nível global de suas atividades.

Essa tendência de substituição temporária do mercado interno pelo mercado externo explica muitos dos fatores da economia brasileira, tais como a balança comercial, a volatilidade dos preços, os fluxos de produção e até mesmo a inflação, mas é o grande motivo pelo qual o Brasil não está inserido de forma eficiente nas cadeias de produção global e também a razão pela qual existem tão poucas multinacionais brasileiras, se comparado a outros países emergentes.

A falta de visão global e de preparação das empresas são alguns dos principais fatores para seu fracasso no mercado internacional, não havendo uma aprendizagem empresarial no processo. Muitas confundem a operação de comércio exterior com a internacionalização de suas atividades, sendo este um processo muito mais abrangente e que requer maior preparação e tempo. O simples envio de um contêiner para o mercado internacional não significa a internacionalização das atividades da empresa, caso não exista uma estratégia capaz de garantir que essa transação seja durável e de longo prazo.

Muitas empresas falham no processo de internacionalização, seja pelo procedimento, sejam pelas vias adotadas e, é importante ressaltar, que o processo atual é diferente do ocorrido nos países desenvolvidos durante a expansão do capitalismo, já que, atualmente, o grau de competitividade é superior, além das dificuldades técnicas, fazendo com que seja necessário que a empresa desenvolva uma estratégia e planifique sua inserção, caso ela realmente deseje participar do mercado internacional.

Por via de regra, muitas empresas buscam consultorias ou órgãos públicos que lhes ajudem a planejar e planificar seu processo de internacionalização, mas, na maioria das vezes, muitas não conseguem concluir o projeto ou até mesmo são frustradas pelos resultados. Isso se deve ao fato de que não existe uma orientação correta por grande parte das consultorias, as quais estão habituadas à promoção do comércio exterior e não a realização da internacionalização da empresa, e também se deve ao fato de que as empresas buscam soluções rápidas no mercado internacional, sendo o processo de internacionalização um processo mais dilatado que a simples compra e venda no mercado internacional.

Entre as vias que as empresas utilizam em sua tentativa de internacionalizar suas atividades, as mais comuns são:

  • – Participar de feiras e rodadas de negócios
  • – Buscar um representante internacional
  • – Realizar projetos por comissão

Embora cada uma dessas vias possam gerar resultados a curto a prazo, nenhuma é capaz de preparar a empresa para manter suas atividades a longo prazo e lhe dar autonomia para que possa conquistar novos mercados, pois é necessário diferenciar o processo de internacionalização de uma empresa de operações internacionais esporádicas que a mesma possa realizar. Dessa forma, a internacionalização deve ser compreendida como um processo resultante de uma estratégia empresarial e não como uma operação no mercado internacional.

As feiras de negócios oferecem a possibilidade de vendas rápidas, mas uma empresa que não esteja preparada para o cenário internacional dificilmente fará com que essa transação seja durável. Os representantes internacionais, por outro lado, conhecem o mercado objetivo, mas, caso não exista exclusividade de suas atividades, a empresa perde o controle de suas vendas internacionais, pois um representante que atue com 10 empresas, se vender o produto de uma das representadas gerará lucro para si, mas as outras nove perdem. E, por último, a realização de projetos por comissão não prepara a empresa para o cenário internacional, mas terceiriza este setor fazendo com que todo o planejamento pertença a um terceiro, não havendo aprendizagem empresarial.

O processo de internacionalização, dessa forma, difere da simples realização de uma transação internacional, não se tratando apenas de uma venda, mas da preparação para o mercado global e seus desafios. Em outras palavras, é como se a empresa estivesse sendo fundada novamente, mas em outro território, sendo necessário desenvolver uma estratégia comercial, conhecer o mercado e a legislação, conhecer os atores e fatores que incidem em suas atividades. Esse é o diferencial das grandes multinacionais que conquistaram o mundo nos últimos anos: a preparação da empresa e a adaptação da mesma a novos mercados.

Por esse motivo, na hora de buscar assessoria, é essencial para a empresa buscar alguém capaz de desenvolver um projeto de internacionalização, uma estratégia internacional e, ao mesmo tempo, é importante que a empresa esteja aberta para a aprendizagem empresarial e para as mudanças necessárias que deverá realizar, sendo ela preparada pela assessoria para enfrentar os desafios e os prazos do mercado mundial, caso contrário, ela sempre será um vendedor itinerante no mercado internacional, como um feirante que trata de competir com as grandes redes de supermercados globais.

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Imagem 1 Mapa das rotas aéreas comerciais de todo o mundo em junho de 2009” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Globalização

Imagem 2 Navio portacontentores no porto de Copenhagen” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Container_(transporte)

Imagem 3 O Palácio de Cristal do Porto, construído para a Exposição Industrial Internacional de 1865” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Feira_profissional

Imagem 4 Gráfico de estrutura de uma empresa offshore” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/International_business_company

Imagem 5 Um navio cargueiro em Elliot Bay, Seattle, Washington” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Navio_cargueiro

About Wesley S.T Guerra - Colaborador Voluntário Sênior

formado em Negociações e Marketing Internacional pelo Centro de Promoção Econômica de Barcelona, Bacharel em Administração pela Universidade Católica de Brasília, especialista pós-graduado em Ciências Políticas e Relações Internacionais pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo – FESPSP e cursando mestrado em Políticas Sociais e Migrações pela Universidad de La Coruña. Atua como consultor internacional do Escritório Exterior de Comércio e Investimentos do Governo da Catalunha. Fundador do thinktank NEMRI – Núcleo de Estudos Multidisciplinar das Relações Internacionais. Especialista em paradiplomacia, acordos de cooperação e transferência acadêmica e tecnológica, smartcities e desenvolvimento econômico e social. Morou na Espanha, Itália, França e Suíça.

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