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Ano do Galo e a política econômica da China na Era Trump

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O Ano do Galo

Exibido. Franco. Corajoso. Consciente de suas obrigações sociais. Bravo combatente dos adversários. Multitarefa. Concentrado. Sensível e atencioso com os amigos. Sempre alerta, é meticuloso e detalhista. Dispensa projetos menos arriscados quando tem muitos pela frente, afinal, causar polêmicas é sua chance de aparecer. É negligente com parceiros de negócios ou amigos mais reservados. Prefere pessoas ativas como ele. Esse é o perfil das pessoas de Galo no horóscopo chinês”.

Desde 28 de janeiro de 2017, a China saúda o Ano do Galo. Segundo os chineses, o Ano do Galo é marcado por uma energia dinâmica de mudança, novas ideias e oportunidades. Um ano de “quebra” de barreiras, perda do medo e determinação em busca de um objetivo. Todos querem desfrutar do sucesso, pois é um Ano de concorrência acirrada nos negócios.

Acompanhando as análises e noticiários, há indícios de que o mundo dos negócios vá balançar em 2017, principalmente entre as duas maiores potências econômicas do planeta: os Estados Unidos da América e a China.

Não se trata da dicotomia Capitalismo versus Comunismo. As diferenças agora são entre a China de crescimento econômico e a favor da globalização e os Estados Unidos da América em recessão, ativando políticas protecionistas (leia-se barreiras aos superbaratos produtos chineses), embora pareça ser um paradoxo um país “comunista” e “em desenvolvimento” tentar diminuir barreiras alfandegárias, enquanto que a maior economia capitalista e desenvolvida do mundo implemente políticas protecionistas. 

Ora visto como liberal, ora conservador de direita, tem sido complexo para os analistas chineses definirem a personalidade do Presidente americano. O magnata estadunidense Donald Trump surpreendeu todo o mundo com sua vitória e ainda parece ser uma incógnita para analistas ocidentais e orientais.

Imprevisibilidade das políticas econômicas da China para a Era Trump

Como deixou claro em suas promessas de campanha, algumas cumpridas logo nos primeiros dias de governo, Donald Trump implementará mudanças financeiras internas que já repercutem no Mercado de ações das Bolsas de Valores de New York e na Dow Jones, que tem foco em empresas de tecnologia.

Analistas econômicos preveem a valorização do dólar, impactando ainda mais nas diferenças de preços dos produtos nos mercados internacionais e, consequentemente, gerando mais tensão e protecionismos. Politicamente, a imprensa asiática não fala em outra coisa senão na possibilidade de guerra entre os Estados Unidos e a China (talvez devido a fragilidade e/ou a aridez da pauta atual).

Em 27 de janeiro de 2017, o “South China Morning Post” publicou reportagem sobre aumento da tensão entre os dois países, provocada pela preparação de operações militares chinesas no Mar da China Meridional. Porta-aviões da marinha chinesa já estariam prontificados, próximo ao Estreito de Taiwan. Além disso, consideraram que a o conflito no Mar da China Meridional não seria “inevitável”, mas “imprevisível”, porque a tensão pode servir como estratégia de Donald Trump para forçar a China a fazer concessões sobre questões econômicas e comerciais.

O desafio dos analistas econômicos, jornalistas investigativos e profissionais de inteligência é descobrir quais as intenções da China diante do novo cenário político, afinal, o Estado chinês e Estados Unidos da América são os dois países mais ricos do mundo e os maiores parceiros comerciais mútuos.

Terão de identificar a estratégia de reação da China às políticas protecionistas de Donald Trump; será necessário observar o que a China pretende fazer para continuar atraindo fábricas de empresas estadunidenses e o que fazer se Trump repatriar as fábricas que já estão lá. Além disso, também está no contexto, identificar como a China conseguirá manter o fluxo de eletro-eletrônicos em direção ao mercado estadunidense.

São questões complexas também para os líderes chineses. As políticas de Pequim para reagir ao “efeito Trump” são imprevisíveis. O único sinal foi a reação do presidente chinês Xi Junping, em sua primeira visita ao Fórum Econômico Mundial em Davos (Suíça), em 17 de janeiro de 2017 – portanto poucos dias antes da posse de Donald Trump como presidente eleito dos EUA, embora o Fórum tenha sido encerrado no dia de sua posse –, que pediu ao líderes econômicos globais que digam “não” ao protecionismo.

Xi Jinping aproveitou para dizer que a China “manterá suas portas abertas para o comércio exterior”, prometeu não desvalorizar a moeda chinesa como estratégia de comércio internacional, que expandirá tratados multilaterais e reduzirá acordos entre “grupos exclusivos e fragmentados por natureza”. Ele também lembrou que o crescimento da China ajudou no desenvolvimento de vários países. 

Esse pronunciamento revela que a China combaterá o protecionismo com mais liberalismo econômico, induzindo à conclusão de que protecionismo versus liberalismo pode ser a nova polaridade ideológica entre duas potências globais.

Eventual prejuízo chinês pode azedar as relações sinorussas

O grau de prejuízo que as políticas econômicas de Donald Trump podem gerar para a China poderá ser medido pelo desenvolvimento dos BRICS e pela relação dos chineses com os russos, acusados pelo serviço de Contrainteligência dos Estados Unidos da América, o Escritório Federal de Investigações (FBI), de realizar ações de inteligência durante as eleições estadunidenses para favorecer o então candidato Donald Trump, conforme foi amplamente disseminado na mídia.

Diante do cenário, pode-se pensar um horizonte em que, se a China for prejudicada com políticas protecionistas implementadas por Donald Trump, ela poderá exigir da Rússia esclarecimentos acerca da suposta interferência, pois acabaria resultando numa diminuição do poder econômico de um aliado estratégico com franca tendência de hegemonia asiática.

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Imagem 1 O Galo” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Galo_(zod%C3%ADaco)  

Imagem 2 O Comunismo do filósofo alemão Karl Marx não é mais uma ameaça aos Estados Unidos da América” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Comunismo

Imagem 3 Donald Trump foi eleito presidente dos EUA sob promessa de ‘fazer os Estados Unidos grande de novo!’” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Donald_Trump

Imagem 4 Estados Unidos da América e China são as duas maiores potências econômicas e os maiores parceiros comerciais mútuos do planeta” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Rela%C3%A7%C3%B5es_entre_China_e_Estados_Unidos

Imagem 5 Xi Jinping, 7º Presidente da República Popular da China” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Xi_Jinping

About Marcelo de Montalvão - Colaborador Voluntário

Graduado em Direito (2000) pela Universidade da Amazônia, é diretor da Montax – Inteligência & Investigações e autor de Inteligência & Indústria – Espionagem e Contraespionagem Corporativa. Pesquisa Marketing de serviços, Guerra Econômica, Economia Política e áreas afins. Como Advogado criminalista, tem foco em ações antilavagem de dinheiro para Recuperação de ativos desviados de fraudes.

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