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A Federação Russa e sua Influência no Oriente Médio

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O ano de 2016 foi para boa parte do mundo uma grande prova de resiliência, países enfrentaram crises humanitárias de refugiados, crises em suas políticas domésticas, atentados terroristas, guerra e crises políticas internacionais. A Federação Russa não fica de fora de nenhum destes cenários, sendo que, de todos estes, a guerra em que tomou partido na Síria foi a que manteve sua presença quase semanal nos tabloides de notícias internacionais ao longo de todo ano de 2016 e, certamente, mudará o seu protagonismo no Oriente Médio pela próxima década.

A participação na guerra Civil Síria pela Rússia tem maior relevância pelo fato de que este conflito interno, desde 2011, gerou uma das maiores crises humanitárias de refugiados de nossa história recente; criou uma crise política no Bloco da União Europeia (UE), dentre os vários fatores, devido a questão dos refugiados, que também influenciou a opinião pública do Reino Unido a pedir a retirada do país do Bloco, através de um Referendo; produziu um espaço para o estabelecimento de grupos terroristas como o Estado Islâmico (EI), ou Daesh, que promoveram atentados por toda a Europa através de suas células, e desestabilizaram países vizinhos, como o Iraque, que passaram, assim como a Síria, por uma guerra interna.

A Guerra na Síria foi capaz de desencadear uma reação em cadeia global em um espaço curto de tempo e lançou a questão do envolvimento da Federação Russa nessa situação, gerando ainda a pergunta sobre se o conflito é uma questão pontual de Bashar Al Assad com sua população, ou se é uma questão que envolve a religião, algo que a mais de mil anos faz com que o poder nessa região do Oriente Médio seja disputado entre as vertentes do Islã (Sunita e Xiita) e o Cristianismo. A resposta a ser apontada tende para esta última alternativa.

O conflito na Síria é ancestral, a comunidade islâmica no país era politicamente ativa e movimentava-se por respeito aos valores de sua fé, enquanto Bashar Al Assad caminhava por tornar o país mais voltado a um Estado modernizado e tendendo a ser secular. Analistas chegaram a afirmar que essa perspectiva gerou o protesto de 2011, o qual, motivado  pela Primavera Árabe vivenciada na Líbia, situação que teve apoio do EUA, levou a Oposição síria a acreditar que, talvez, viesse a ocorrer o mesmo apoio norte-americano em seus país, caso se insurgissem contra Assad. No entanto, o conflito se estendeu sem uma resolução. Ao longo do processo, a Federação Russa permaneceu ao lado de Assad, mesmo com a construção pela mídia de uma imagem demoníaca do Presidente sírio perante a comunidade internacional, principalmente no caso das armas químicas que foram utilizadas pelos rebeldes, mas disseminadas de forma a tentar incriminar Assad, conforme foi posteriormente divulgado na imprensa internacional.

Agora, com a vitória do Exército Sírio em Aleppo, certamente a Federação Russa ganha mais protagonismo internacional e se torna um dos global players de maior influência no Oriente Médio, mostrando que sua estrutura social (e capacidade de colocar a opinião pública a favor de suas ações), força política interna (apoio doméstico para suas ações globais), aptidão econômica (recursos para atuar em projetos internacionais) e potencial militar (capacidade de emprego bélico global), são adequadas para suportar e superar os percalços da guerra, sobrepujando, inclusive, o trauma da antiga União Soviética no Afeganistão.

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Imagem 1Batalha de Heraclius e persas sob o Khosrau II D.C.” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/9/93/Piero_della_Francesca_021.jpg

Imagem 2Soldados Russos em Base Aérea na Síria” (Fonte Governo Russo):

http://mil.ru/images/upload/2015/kel_3529_kel_sbori_na_Vostok-900.jpg

Imagem 3Tropas soviéticas em combate no Afeganistão” (Fonte Governo Russo):

http://mil.ru/files/files/85vdv/images/2b68340a-3cc9-4106-a3a5-96cddb6463e0__3-18_s.jpg

About Daniel Costa Sampaio - Colaborador Voluntário Júnior

Pós graduando em Ciência Política pelo IUPERJ e bacharel em Relações Internacionais pelo IUPERJ. Experiência profissional no ramo imobiliário, hoteleiro e logística internacional. No CEIRI Newspaper escreve no grupo Europa desde março de 2013, em que desenvolve publicações com ênfase na Rússia.

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