Política Nuclear iraniana continua sob impasse

Hassan Rouhani
Hassan Rouhani

Mesmo com a eleição do novo “Presidente do Irã”, Hassan Rouhani, que assumirá seu cargo em 5 de agosto próximo, após ter vencido as eleições no dia 14 de junho, a questão do “Programa Nuclear Iraniano” continua sob impasse.

O novo responsável pelo Governo está preservando o discurso anterior de confronto com Israel e EUA, apesar de ter afirmado que está buscando aproximações com os norte-americanos, ter feito várias críticas ao ex-presidente Ahamdinejad (acusando-o de incompetência administrativa) e criar a sensação de ser um moderato, tanto que chegou a assegurar que abriria espaços para a internet no país, uma vez que fontes internas e internacionais revelam que os e-mails são monitorados e há restrições à consulta livre de sites ocidentais.

O problema nuclear se manteve no mesmo compasso e já foi anunciado que serão mantidos os procedimentos, apesar das retomadas dos diálogos entre o governo do Irã e a comunidade internacional, mais especificamente, o denominado “Grupo dos 6” (“Estados Unidos”, Rússia, China, França, Grã-Bretanha e Alemanha) que realizou reunião na terça-feira passada, dia 16, sob coordenação da chefe de política externa da União Europeia, Catherine Ashton, tendo-se chegado apenas ao resultado de que haverá novas reuniões[1] tratando do problema de forma mais ampla.

Observadores apontam que os iranianos mantêm sua postura principalmente devido ao apoio que continuam recebendo da Rússia e da China, que não aceitam qualquer interferência externa, nem sanções unilaterais contra os persas.

A situação continua tensa e indefinida, com mais declarações de Israel de que usará da força militar para impedir a conclusão do projeto atômico, mesmo porque não considera que haverá mudança de rumos com a novo Governo em Teerã, nem que o futuro presidente seja diferente do que está se despedindo, já que, segundo afirmam as autoridades israelenses, este é um “lobo sob pele de cordeiro[2].

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, declarou ao programa “Face the Nation” da “CBS News”: “Eles estão chegando próximo da linha vermelha. Não a atravessaram ainda. (…). Estão chegando perto e mais perto da bomba. E têm de saber, em termos seguros, que isso não será permitido. (…). Nosso relógio está girando em um ritmo diferente. Estamos mais próximos do que os Estados Unidos. Estamos mais vulneráveis. Por isso, teremos de cuidar dessa questão sobre como parar o Irã, talvez antes dos Estados Unidos[2]. Acrescenta ainda: “(estão construindo) centrífugas rápidas que podem levar o Irã a atravessar a linha em um ritmo mais rápido – quero dizer, dentro de algumas poucas semanas[2], mesmo porque o novo Presidente “está criticando seu antecessor (Mahmoud Ahmadinejad) por ser um lobo em pelo de lobo. Sua estratégia é ser um lobo em pelo de cordeiro. Sorrir e construir sua própria bomba[2].

As declarações do israelense foram recebidas com críticas e desconsideração por parte de Hassan Rohani que declarou: “Quando alguns (Estados Unidos e Israel, N.R.) dizem que todas as opções estão sobre a mesa e um país miserável da região (Israel, N.R.) diz coisas semelhantes, nos provoca risadas. (…). Quem são os sionistas para nos ameaçar?[3].

Analistas apontam que a segurança dos iranianos decorre do apoio que recebem da Rússia e da China, que não aceitam qualquer interferência externa e declararam novamente que estarão ao lado do Irã para fazer preservar seu direito à energia nuclear.  A China anunciou, por meio de seu representante permanente na ONU, Wang Min, que o único caminho admissível é o diálogo, sem aplicação de sanções[4] e o porta-voz russo nas “Nações Unidas”, o vice-embaixador na ONU, Piotr Ilitchov, declarou de forma  mais incisiva e contundente durante uma sessão do “Conselho de Segurança da ONU” que não vê alternativa diplomática e também não aceita a aplicação de sanções, devendo-se respeitar o “Tratado de Não-Proliferação Nuclear” (TNP). Afirmou claramente: “Não vemos qualquer alternativa para chegar a uma solução política e diplomática. (…). Os esforços nessa área devem proceder de princípios consistentes, de reciprocidade e conforme o Tratado de Não Proliferação[5].

Tais declarações levaram os intérpretes a considerar que, da parte russa, o Irã terá preservado seu Programa Nuclearda forma como vem desenvolvendo, podendo isso significar que, se as afirmações dos europeus, israelenses e norte-americanos estiverem corretas, ou seja, que o processo caminha para a conclusão de um projeto bélico, Teerã conseguirá a produção de sua bomba atômica, restando como provável o cenário de ataque das usinas em território persa por parte de Israel.

Diante do quadro de impasse criado, observadores não acreditam em avanços nas próximas reuniões, o que tornará mais tensa a situação, bem como mais propícia a execução israelense.

—————————–

Imagem (Fonte):

http://en.rian.ru/world/20130615/181686761.html 

—————————–

Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.diariodarussia.com.br/internacional/noticias/2013/07/17/sexteto-se-compromete-a-se-reunir-com-ira-em-breve/   

[2] Ver:

http://www.em.com.br/app/noticia/internacional/2013/07/14/interna_internacional,422605/netanyahu-diz-que-pode-agir-antes-de-eua-sobre-ira.shtml 

[3] Ver:

http://g1.globo.com/mundo/noticia/2013/07/ameacas-de-israel-provocam-risadas-diz-presidente-eleito-do-ira.html

Ver também:

http://www.boainformacao.com.br/2013/07/novo-presidente-do-ira-critica-israel-e-diz-que-vai-manter-apoio-a-ditador-sirio/

[4] Ver:

http://portuguese.cri.cn/1721/2013/07/16/1s169673.htm

[5] Ver:

http://gazetarussa.com.br/internacional/2013/07/16/nao_vemos_solucao_diplomatica_para_o_ira_diz_diplomata_russo_20475.html  

————————

Ver também:

http://www.iranews.com.br/noticia/10389/estado-terrorista-israel-testa-novo-missil-balistico-com-capacidade-nuclear

Enhanced by Zemanta

Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

 
Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela USP (Pensamento Político e Militar Brasileiro DCP/FFLCH/USP); Sócio-Fundador do CEIRI. Como professor universitário, ministrou aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de assessor de diretoria do curso de Direito, foi autor e coordenador de projeto da UNINOVE em São Paulo, entre 2000 e 2003. Ao longo de 2004 e 2005 trabalhou em São Paulo e Porto Alegre, onde ministrou cursos de Análise de Conjuntura em Política Internacional na PUC/RS; Fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006; Em 2006 foi Coordenador dos Cursos Intensivos e Avançados; Vice-coordenador do Curso de Diplomacia Empresarial e Corporativa e Vice-Diretor do curso de Relações Internacionais da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM/POA); Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional). É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional.