LOADING

Type to search

Leilão do Pré-Sal brasileiro impacta mercado petrolífero mexicano

Share
image_pdfimage_print

De acordo com o Jornal Reuters, na última sexta-feira (dia 8 de dezembro), a petrolífera estatal mexicana Pemex cancelou o desenvolvimento do projeto “Nobilis-Maximino”, de exploração em águas profundas do Golfo do México, em função do baixo interesse dos investidores.

A implementação do projeto Nobilis-Maximino é uma parte essencial da estratégia da empresa para promover tais parcerias que fortalecerão suas capacidades operacionais, financeiras e tecnológicas. Conforme estabelecido em seu Plano de Negócios para 2017-2021, as joint ventures são um elemento-chave para a Pemex consolidar-se como uma empresa moderna, competitiva e rentável, pois isso permite que ela compartilhe os riscos de exploração e produção em seus campos, fortalecendo, assim, as vantagens oferecidas pela reforma energética.

Uma seção da Plataforma Pol-A da Pemex

O bloco Nobilis-Maximino está localizado em águas ultraprofundas na área do Cinturón Plegado Perdido do Golfo do México, a 230 quilômetros da costa do Estado de Tamaulipas e a 15 quilômetros da fronteira marítima com os Estados Unidos. Contém reservas totais estimadas em 500 milhões de barris de petróleo bruto. Tem uma profundidade de fluxo entre 2.900 metros e 3.100 metros e abrange uma área total de 1.524 quilômetros quadrados.

Segundo a Pemex, o baixo interesse do mercado em seu projeto está diretamente relacionado com a concorrência do leilão de petróleo do Pré-Sal realizado em outubro deste ano (2017) e com os baixos preços do petróleo. Seis dos oito blocos do Pré-Sal foram leiloados para grandes empresas, incluindo Royal Dutch Shell e ExxonMobil. “Um fator que afetou o apetite por novos projetos foi o investimento recentemente assumido por possíveis concorrentes. As empresas que conseguiram blocos no Brasil examinaram o projeto Nobilis-Maximino”, declarou a Pemex, em comunicado oficial.

Não obstante, os preços baixos do petróleo – com projeções de médio e longo prazo de 50 a 65 dólares por barril – têm sido um fator de risco para as empresas que se preocupam com a aquisição de projetos de águas profundas complicadas e caras, como o Nobilis-Maximino.

Como principal produtor mundial de petróleo bruto, o México está buscando reverter os resultados obtidos em 12 anos de queda da produção de petróleo e gás. De acordo com analistas, o pouco interesse no mercado mexicano também pode estar relacionado com as tentativas de abrir sua produção energética após um longo período de monopólio da estatal.

No entanto, existem cerca de 30 projetos de águas profundas semelhantes que estão pendentes, com propostas que ainda estão em andamento. Segundo Alma América Porres, diretora da Comissão Nacional de Hidrocarbonetos (CNH), o cancelamento não deve ser interpretado como uma falta de interesse da indústria, pois, apesar da CNH selecionar os parceiros da Pemex através de leilões abertos, 29 empresas já começaram o processo de pré-qualificação para participar das licitações de outros projetos mais flexíveis. Outras 16 companhias de petróleo também estão avaliando as informações associadas aos blocos para tomarem alguma decisão.

Para Miriam Grunstein, pesquisadora da Rice University no México, essas propostas são potencialmente mais atraentes porque podem ser desenvolvidas independentemente da Pemex. Entretanto, as principais corporações petrolíferas podem ter parcerias com a mexicana, caso suas dívidas e restrições orçamentárias inviabilizem o desenvolvimento de projetos independentes.

No final de 2016, a Pemex consolidou sua primeira joint venture em águas profundas com a BHP Billiton, no projeto Trion, de 11 bilhões de dólares. De acordo com a empresa, seu objetivo é continuar promovendo a sua estratégia de parceria em vários campos petrolíferos que apresentam menos dificuldades técnicas e menores riscos.

———————————————————————————————–                    

Fontes das Imagens:

Imagem 1Plataforma P5 offshore da Petrobrás” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Petrobras

Imagem 2Uma seção da Plataforma PolA da Pemex” (Fonte):

http://www.gettyimages.com/license/481996451

Imagem 3Mapa do Golfo do México” (Fonte):

https://af.wikipedia.org/wiki/Golf_van_Meksiko

Tainan Henrique Siqueira - Colaborador Voluntário

Mestrando em Direito Internacional pela Universidade Católica de Santos. Graduado em Relações Internacionais pela Universidade Católica de Santos. Experiência acadêmica internacional na Cidade do México e atuação profissional no Consulado do Panamá e no Turismo Nuevo Mundo. Concluiu trabalho de extensão sobre Direitos Humanos e Refugiados, iniciação científica na área do Direito Internacional e da Política Externa Brasileira, sendo esta segunda iniciação premiada em terceiro lugar entre as áreas de ciências humanas e ciências sociais aplicadas da UniSantos em 2015. Atuou como Monitor na disciplina de Teoria das Relações Internacionais­I, durante o último semestre de 2015. Atualmente é monitor e pesquisador do Laboratório de Relações Internacionais da UniSantos em parceria com o Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas (LARI­IPECI), onde auxilia no desenvolvimento de projetos semestrais pautados por três frentes de pesquisa: 1) Direitos Humanos, Imigração e Refugiados; 2) Política Internacional e Integração Regional; e 3) Relações Internacionais, Cidades e Bens Culturais. Tem objetivo de seguir carreira acadêmica.

  • 1