Home / NOTAS ANALÍTICAS / POLÍTICA INTERNACIONAL / AMÉRICA DO NORTE / [:pt]Intervenção na Síria: uma nova etapa do conflito[:]

[:pt]Intervenção na Síria: uma nova etapa do conflito[:]

Download PDF
[:pt]

Na cadeia de ações da administração Trump, as tensões geopolíticas ganham novos contornos com o engajamento de Washington na Guerra Civil da Síria, a primeira ação mais contundente de Trump em política externa, que transmitiu uma mensagem à comunidade internacional acerca dos rumos da nova diretriz externa norte-americana, principalmente para o Oriente Médio.

O primeiro ataque produzido pelos EUA contra alvos do regime sírio teve efeito significativo na perspectiva geoestratégica, sendo, contudo, apenas simbólico no aspecto prático do conflito, uma vez que não impactou em seu curso, haja vista que as pistas de pouso danificadas da base aérea de Shrayat, nas imediações de Homs, podem ser reconstruídas rapidamente e os aviões destruídos podem ser facilmente substituídos pela armada russa, permanecendo inalterado o equilíbrio de forças no solo.

Nessa perspectiva, as forças de defesa do regime sírio, com apoio de Irã, Hezbollah e Rússia, tem demonstrado capacidade de resistência, tanto no âmbito da manutenção do regime, como para a vitória militar no terreno, uma conjuntura possível graças à fragmentada insurgência síria que, diante das divisões internas e interesses distintos, não consegue produzir efeito político prático e acaba por ver no radicalismo o dano colateral que torna incapaz uma solução.

Para especialistas consultados, a intervenção competitiva internacional e regional sustenta esse impasse, ou seja, cada vez que um dos lados do conflito se enfraquece, o ator externo qualifica o suporte para garantir a sobrevivência. Em momentos em que o regime demonstrou fragilidade e perda de terreno para a insurgência, os apoiadores externos aumentaram o engajamento no conflito, como por exemplo, a entrada definitiva russa em setembro de 2015 através de incursões aéreas.

Esse notado desequilíbrio também conduziu outros atores externos, tais como Estados Unidos, Arábia Saudita, Catar e Turquia a ampliar o apoio aos rebeldes que resultam na sustentabilidade do conflito.

No aspecto conjuntural, analistas internacionais apontam a possibilidade de o ataque com mísseis de cruzeiro Tomahawk ter sido apenas um ataque punitivo e a guerra continuará seu curso como antes. Desta maneira, ao demonstrar vontade de usar a força, Trump poderá trabalhar com a Rússia para estabelecer mais contenção sobre seu aliado e criar bases para o retorno do processo diplomático, permitindo no futuro reivindicar uma vitória política sem pagar os custos significativos da entrada em uma guerra.

Por outra via, há cenários menos otimistas em que Moscou poderia responder de maneira mais conflituosa desafiando Washington a escalar ou recuar. A campanha contra o Estado Islâmico poderia sofrer retrocessos tanto na Síria quanto no Iraque, assim como as tropas estadunidenses estacionadas nessa região poderiam se tornar alvos de retaliação.

———————————————————————————————–                    

Imagem 1 Trump recebe um briefing sobre um ataque militar contra a Síria da equipe de Segurança Nacional” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/2017_Shayrat_missile_strike#/media/File:President_Donald_Trump_receives_a_briefing_on_a_military_strike.jpg

Imagem 2 Ministro de Relações Exteriores russo Sergey Lavrov se encontra com o Secretário de Estado norteamericano Rex Tillerson em Moscou” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Sergey_Lavrov#/media/File:Secretary_Tillerson_Shakes_Hands_With_Russian_Foreign_Minister_Lavrov_Before_Their_Meeting_in_Bonn_(32936075105).jpg

Imagem 3 Foto de um Tomahawk sendo lançado do USS Arleigh Burke contra alvos do Estado Islâmico em Raqqa” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/American-led_intervention_in_Syria#/media/File:Tomahawk_Missile_fired_from_US_Destroyers.jpg

[:]

About Victor José Portella Checchia - Colaborador Voluntário

Bacharel em Relações Internacionais (2009) pela Faculdades de Campinas (FACAMP), Especialista em Direito Internacional pela Escola Paulista de Direito (EPD) e Especialista em Política Internacional pelo CEIRI (Centro de Estratégia, Inteligência e Relações Internacionais). Atuou em duas grandes multinacionais do setor de tecnologia e na área de Cooperação Internacional na Prefeitura Municipal de Campinas com captação de recursos externos, desenvolvimento de projetos na área econômica e comercial e buscando oportunidades de negócios para o município. Atualmente é Consultor de Novos Negócios na Avanth International em Campinas/SP. Escreve semanalmente sobre América do Norte com foco nos Estados Unidos.

Check Also

Brexit e União Europeia: novos desafios e dúvidas

Existem mais de 3,3 milhões de cidadãos europeus que vivem no Reino Unido, sendo sua ...