Governo Brasileiro anuncia vencedor do Projeto FX2

Gripen-NG
Gripen-NG

O Governo brasileiro anunciou ontem, dia 18 de dezembro de 2013, o vencedor doProjeto FX2daForça Aérea Brasileira” (FAB). O escolhido foi o caça da empresa sueca SAAB, o Gripen NG”, e começará um processo de negociação da assinatura do contrato, quando se espera que sejam definidas as formas em que se desenvolverá a transferência de tecnologia, a questão do parque industrial, a execução do projeto e a possibilidade de que seja reduzido o preço total, cujos anúncios feitos na mídia oscilam entre 4,5 bilhões e 6 bilhões de dólares. Alguns sites afirmam que será de 6 bilhões e o Governo brasileiro espera reduzi-lo para 5.

Desde de 2009, quando o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou que o Rafale francês era o favorito, houve várias manifestações de analistas e de militares, pois estava sendo disseminado na mídia que o relatório da “Força Aérea Brasileira” apontava exatamente o Gripen como o aprovado pela avaliação dos técnicos, levando em consideração a sua versatilidade, o menor custo por unidade, o baixo custo operacional comparativo, a capacidade operacional adequada às necessidades da FAB e a transferência apropriada de tecnologia, de acordo com as necessidades e exigências brasileiras.

Os demais caças eram mais caros, com maior custo de operação e com condições de transferência tecnológica  inadequada ao Brasil, apesar das promessas da francesa Dassault e da maior capacidade de carga e raio de ação de ambos os caças que concorriam com o Gripen (o Rafale e o F18) , que também são caças com bireatores, ao contrário do sueco que é monoreator) o que aumenta a segurança.

Segundo foi divulgado, a preferência da FAB se baseava não na compra de 36 caças, mas numa pretensão inicial para a aquisição de aproximadamente 100 unidades com capacidade de pouso em pistas curtas e pronta resposta, que seriam espalhadas pelo território brasileiro, principalmente nas fronteiras onde não há bases com dimensão para receber aeronaves de grande envergadura, evitando ainda o risco de concentrar muitos aparelhos em poucas bases aéreas.

Como o Gripen foi desenvolvido pela Suécia para responder prontamente a ameaças em um território curto e com poucas pistas de pouso extensas, tal condição se mostrava aproximada para o caso brasileiro. Tão importante quanto essa questão era a proposta de chegar à construção dos aparelhos no Brasil o que pode dar real autonomia tecnológica ao país, capacitando-o a construir caças de outras gerações no futuro.  

Vários fatores políticos favoreceram contudo a essa escolha. Desentendimentos acerca de fornecimentos de peças para a Marinha brasileira por parte da França, que tem contratos assinados com  “Armada do Brasil”, levaram a presidente Dilma a descartar o francês Rafale.

Com relação ao concorrente norte-americano, segundo vinha sendo divulgado, o Governo pendia inicialmente ao F-18 da Boing, mas os problemas gerados pelas denúncias de espionagem realizada pela “Agência de Segurança Nacional dos EUA” (NSA) produziram a perda de confiança por parte do Governo brasileiro, levando à tomada de decisão que retomou a antiga preferência da FAB.

As negociações para a assinatura do Contrato ainda vão começar, podendo trazer novidades, mas a declaração define um caminho que vinha sendo pedido pela Aeronáutica do Brasil que se vê diante do limite de operacionalidade dos equipamentos brasileiros que deverão ser aposentados em breve, quando se espera que entrarão em serviço os aparelhos do Projeto FX2, previstos para serem entregues em 2018, numa sequência de 12 unidades por ano.

Em declarações oficiais sobre o resultado, a Dassault mostrou a sua decepção e ressaltou a qualidade do Rafale, afirmando haver superioridade em relação ao Gripen e discordando da escolha brasileira, já que considerou que esta se baseou em critérios financeiros e não na superioridade técnica[1]. A Boing adotou postura amenizadora e ressaltou que há outras parcerias com o Brasil que não deverão ser desprezadas, frisando a grande amizade entre os dois países[2].

Vencida esta etapa, especialistas neste momento reforçam que a tarefa do presente deve ser acelerar a execução do Projeto, pois o Brasil, em breve, poderá ficar sem capacidade de cobertura aérea, por isso, não pode perder mais tempo.           

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.defesanet.com.br/fx2/noticia/13526/Consorcio-RAFALE—Declaracao-oficial-sobre-anuncio-do-F-X2/

[2] Ver:

http://www.defesanet.com.br/fx2/noticia/13525/BOEING—Declaracao-oficial-sobre-anuncio-do-F-X2/

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Ver:

http://www.aereo.jor.br/2013/12/18/nota-oficial-governo-federal-seleciona-novos-cacas-para-a-fab/

Ver:

http://g1.globo.com/politica/noticia/2013/12/governo-anuncia-compra-de-36-cacas-suecos-do-modelo-gripen.html  

Ver:

http://zerohora.clicrbs.com.br/rs/politica/noticia/2013/12/brasil-escolhe-caca-sueco-gripen-4368366.html  

Ver:

http://www.defesanet.com.br/fx2/noticia/13520/Folha-indica-o-Gripen-como-vencedor/

Ver:

http://www.defesanet.com.br/fx2/noticia/13528/SAAB—Nota-Oficial-/

Ver:

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2013/12/131208_cacas_analise_lk.shtml             

          


Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

 
Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela USP (Pensamento Político e Militar Brasileiro DCP/FFLCH/USP); Sócio-Fundador do CEIRI. Como professor universitário, ministrou aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de assessor de diretoria do curso de Direito, foi autor e coordenador de projeto da UNINOVE em São Paulo, entre 2000 e 2003. Ao longo de 2004 e 2005 trabalhou em São Paulo e Porto Alegre, onde ministrou cursos de Análise de Conjuntura em Política Internacional na PUC/RS; Fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006; Em 2006 foi Coordenador dos Cursos Intensivos e Avançados; Vice-coordenador do Curso de Diplomacia Empresarial e Corporativa e Vice-Diretor do curso de Relações Internacionais da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM/POA); Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional). É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional.