Home / NOTAS ANALÍTICAS / COOPERAÇÃO INTERNACIONAL / ÁSIA / General Hermóhenes Ésperon fala sobre o Supertufão Hayian que atingiu as Filipinas

General Hermóhenes Ésperon fala sobre o Supertufão Hayian que atingiu as Filipinas

Download PDF

O Supertufão Hayian”* levantou de novo muitas questões sobre o modo de atuação em situações de fortes ciclones tropicais não só nas Filipinas mas também nos países que fazem parte do “Sudeste Asiático”. Cada vez mais os tufões ameaçam a “Segurança Nacional”, a “Segurança Pública”, e a “Segurança Corporativa do país. Além disso, os terremotos, que são comuns no arquipélago, pioram a situação do povo filipino, refletindo diretamente na avaliação e desempenho do Governo do país. Para testemunhar sobre o impacto dos desastres naturais e os mecanismos de atuação do Governo filipino[1] o “CEIRI NEWSPAPER” procurou General Hermóhenes C. Ésperon – ex-comandante das Forças Armadas das Filipinas e Conselheiro do Presidente[2], que apresentou um relato da situação, dos condicionantes, dos meios disponíveis e também, indiretamente, mostrou a necessidade de a sociedade internacional trabalhar de forma mais intensa e coletivamente para combater os desastres naturais, tanto nas Filipinas, como nos demais países do mundo.  Abaixo o depoimento do General.

—————-

General Hermóhenes C. Ésperon:

– O Governo filipino foi avisado da chegada do tufão Hayian pelas agências meteorológicos do Japão e dos EUA e as Filipinas também contam com um sistema chamado “Doppler Radar”, que é de alerta preventivo, para informar antes de um tufão chegar. O órgão responsável pelos desastres é a “Guarda Civil” que faz parte do “Departamento da Segurança Nacional”. Temos também o “Conselho Nacional para a Redução e a Gestão das Catástrofes Naturais” que é bem parecido com a americana “Agência Federal de Gestão de Emergências” (Federal Emergency Management Agency, abreviada como FEMA)[3].

Cada ano pelo território filipino passam entre 20 e 25 tufões e só 10 ou um pouco mais chegam ao solo. Esse foi o ciclone mas forte que testemunhamos até agora, sendo duas ou três vezes mas forte que o Furacão Katrina que atingiu os Estados Unidos em 2005 e foi o mais devastador da história daquele país. Independentemente do ano em que estamos, se é com fenômeno El Niño**, ou La Niña, o número dos tufões de julho a dezembro não muda, por isso, o povo filipino é acostumado a viver nesse clima de desastres naturais, como ciclones tropicais e terremotos.  

Habitualmente, o Governo alerta a população com mensagens no rádio e nos canais de televisão, por essa razão, no caso do tufão Hayian foram evacuadas muitas áreas. Apesar disso, as fatalidades foram muitas graças a sua força dele. Algumas pessoas recebem SMS no seus telefones pessoais e se sabe que nas Filipinas temos 60 milhões pessoas que usam  celular.

Com relação ao enfrentamento da catástrofe, o “Conselho Nacional para a Redução e a Gestão das Catástrofes Naturais”, cuja sede fica na capital Manila, tem oficinas regionais em todo país. A ajuda humanitária chega no aeroporto em Manila e daí é redistribuída para as províncias. Recebemos ajuda do Governo dos Estados Unidos que forneceu equipamentos das Forças Armadas americanas, mas nós  precisamos de uma larga frota de aviões e helicópteros, porém isso ainda é um sonho para nossa nação.

Também o Estado precisa tornar-se mais rico. Antes do Hayian chegar, o Governo se preparou, mas não foi suficiente. Quando um desastre ambiental desse tamanho atinge o nosso país o problema principal é como distribuir para as áreas afetadas a ajuda humanitária que chega nos nossos aeroportos.   

Durante meu tempo no cargo de “Comandante das Forças Armadas” o orçamento sobre desastres naturais foi de cerca de 1 bilhão de pesos, ou US $ 25 milhões de dólares. Agora, o Governo conta com auxílio do “Banco Mundial” e do “Banco Asiático de Desenvolvimento” e todas as agências governamentais contribuem para o Fundo de Desastres Nacionais”. Contamos também com doações e com a ajuda da “Cruz Vermelha”.

Durante situações urgentes, nós costumamos usar como centros de evacuação escolas e edifícios públicos, pois não temos construções especialmente erguidas para funcionarem como centros especiais, uma vez que, se esse fosse o caso, todo o arquipélago estaria cheio de edifícios para evacuação.

Contudo, o Hayian foi tão forte que levou o teto de uma escola utilizada para evacuação. Além disso, as ondas chegaram a quatro metros de altura e devido às correntes fortes as águas rapidamente inundaram a terra. A chuva forte e o dilúvio foram os responsáveis pela elevada taxa de mortalidade. Ninguém imaginou que o tufão seria tão violento.

Destaca-se, no entanto, que a área atingida do arquipélago filipino está entre as menos povoadas. O nosso país tem população de 95 milhões de pessoas, e as áreas afetadas pelo desastre tem cerca de 10 milhões de habitantes. Na década passada, quando o tsunami atingiu Tailândia, Indonésia e outros países, foram mais de 200 mil as vítimas.

Quando eu ainda era criança, também houve uns fortes ciclones tropicais, mas todos os anos os furacões estão cada vez mais intensos. Com os tufões ninguém no mundo pode garantir 100% de segurança para a população.

——————

*Em chinês “hayian” significa “petrel” (do inglês “petrel” ou do francês “pétrel”) – designação comum a várias espécies de aves procelariformes das famílias Procellariidae e Pelecanoididae (petréis-mergulhadores). Os petréis são aves marinhas, que frequentam os oceanos, se alimentam de peixes ou de refugos dos navios e nidificam (constroem seus ninhos) em ilhas isoladas.

** Os fenômenos “El Niño” são alterações significativas de curta duração (12 a 18 meses) na distribuição da temperatura da superfície da água do “Oceano Pacífico”, com profundos efeitos no clima. Estes eventos modificam um sistema de flutuação das temperaturas daquele oceano chamado “Oscilação Sul” e, por essa razão, são referidos muitas vezes como OSEN (Oscilação SulEl Niño). O entendimento de seu papel no aquecimento e arrefecimento global é uma área de intensa pesquisa, mas ainda sem um consenso.

——————

Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.gov.ph/

[2] Ver:

http://en.wikipedia.org/wiki/Hermogenes_Esperon

[3] Ver:

http://www.fema.gov/

[4] Ver:

http://www.ndrrmc.gov.ph/

Enhanced by Zemanta

About Wladimír Tzinguílev - Bulgária

De nacionalidade Búlgara, é Mestre em Segurança Corporativa (2012) pela Universidade de Economia Nacional e Mundial (UNSS, Sófia). Atua na área de Segurança Pública, Segurança Corporativa e Diplomacia Corporativa com foco nos países do Leste Europeu, sendo referência em questões relacionadas a Península Balcânica, Turquia e Rússia. Atualmente é jornalista e editor de notícias internacionais da Televisão Nacional da Bulgária (BNT).

Check Also

Brexit e União Europeia: novos desafios e dúvidas

Existem mais de 3,3 milhões de cidadãos europeus que vivem no Reino Unido, sendo sua ...