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EUA temem uma aliança forte entre Alemanha e Rússia

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Recentemente, George Fridman, chefe da Stratfor Global Intelligence, uma agência de inteligência privada fundada em 1996, que presta consultoria para diversos governos, empresas e indivíduos,  incluindo oDepartamento de Estado dos Estados Unidos da América (EUA), afirmou que os EUA consideram ser seu objetivo primordial impedir a formação de uma aliança entre Alemanha Rússia. De acordo com Fridman, isso impediria a formação de uma superpotência, capaz de fazer frente ao poderio norte-americano no sistema internacional[1].

Segundo a ótica de George Fridman, a tecnologia e o capital da Alemanha, combinados com os imensos recursos naturais da Rússia seriam capazes de forjar um mundo verdadeiramente bipolar, que teria de um lado os Estados Unidos e do outro a Eurásia[2]. Vale destacar que essa não é a primeira vez que analistas assinalam que uma união entre esses dois países seria capaz de fazer frente à potência hegemônica da época.

No início do século passado, Halford John Mackinder, o principal estrategista da Teoria do Poder Terrestre, afirmava que o Governo inglês deveria impedir uma aliança ou a dominação da Rússia pelaAlemanha[3]. Isso porque, de acordo com seu livro, The Geographical Pivot of History, a Rússia, detentora de abundantes recursos naturais e energéticos, no coração da Eurasia (no caso, o que denominava porHeartland), aliada ou dominada pela potência industrial da Alemanha, poderia representar um grande perigo para os interesses ingleses no mundo.

Nesse sentido, de acordo com a declaração do chefe da Stratfor Global Intelligence, os Estados Unidos buscariam dificultar possibilidades de desenvolvimento dos dois países. Essa perspectiva explicaria a estratégia norte-americana utilizada na Crise da Ucrânia e a imposição de sanções econômicas que tem prejudicado tanto a Rússia, como também a Alemanha[4]. É preciso ressaltar que 40% do gás que a Alemanha importa é russo e, ainda, que um terço do gás consumido na Europa provém da Rússia[5].

Nesse aspecto, vale destacar que no livro “Os próximos 100 anos”, publicado em 2009, Fridman aponta que a Europa, em cenários futuros, teria que lidar “com o ressurgimento da Rússia, a intimidação dos Estados Unidos, e as tensões internas[6]. Segundo analistas, esses três cenários já estão em movimento. Após o ex-URSS muitos acreditavam que a Rússia não retornaria a assumir tão cedo um papel protagonista, mas já em 1997 foi convidada a participar do G-8 (AlemanhaCanadáEstados UnidosFrançaItáliaJapãoReino Unido e Rússia), além disso, em 2001 Jim ONeill, um economista inglês”, apontou aRússia, como uma das economias que mais cresciam no mundo, formando junto com Brasil, Índia e China o acrônimo, BRIC. Compete lembrar que a Rússia é membro permanente do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas, o que evidencia seu poder político e estratégico. Por fim, nas últimas décadas a Federação Rússia tem sido o motor energético da Europa, em razão das suas abundantes fontes de recursos naturais.

Já a Alemanha, desde a Segunda Guerra Mundial, não teve nenhum líder com papel tão relevante quanto a atual chanceler Angela Merkel, em razão do isolamento provocado pelo passado nazista do país[7]. Nesse âmbito, a Chanceler da Alemanha tem assumido papel de destaque nas questões centrais envolvendo a crise  da Europa, uma vez que a Alemanha é a economia mais forte do bloco. Além disso, recentemente enviou armas aos curdos que lutam contra o Estado Islâmico no Oriente Médio. Mas, sobretudo, tem sido a principal voz do Ocidente nas negociações com os russos[8]. Por isso, alguns analistas ressaltam que Merkel sabe a importância, por exemplo, do Acordo Minsk II, assinado em fevereiro de 2015 que propunha o cessar fogo na Ucrânia[9]. Nesse aspecto, o próprio Governo norte-americano sabe da importância do papel desempenhado por Merkel.

No entanto, para alguns analistas, essa força da Chanceler Alemã na verdade retrata apenas a fraqueza temporária de outros países. De acordo com Markus Kaim, do Instituto Alemão de Assuntos Internacionais e de Segurança,“a França está lutando com uma crise econômica e da Frente Nacional, a Grã-Bretanha é introspectiva e antiglobalista, e os EUA embarcaram em um período de construção da sua nação. Não há muitos outros países dispostos a arcar com o ônus[10]. É justamente em razão desses cenários que Fridman aponta à existência do receio dos Estados Unidos quanto a formação de uma aliança entre Alemanha e Rússia.

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Imagem (Fonte):

http://www.zeit.de/politik/2013-04/cebit-merkel-putin-rede-demokratie-wirtschaft

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://www.globalresearch.ca/stratfor-us-aims-to-prevent-a-german-russian-alliance/5437247

[2] Ver:

Idem.

[3] Ver:

http://www.mindef.gov.sg/safti/pointer/back/journals/1998/Vol24_3/8.htm

[4] Ver:

http://www.globalresearch.ca/stratfor-us-aims-to-prevent-a-german-russian-alliance/5437247

[5] Ver:

http://www.dw.de/crise-na-ucr%C3%A2nia-pode-afetar-distribui%C3%A7%C3%A3o-de-g%C3%A1s-na-europa/a-17480532

[6] Ver:

http://www.globalresearch.ca/stratfor-us-aims-to-prevent-a-german-russian-alliance/5437247

[7] Ver:

http://www.telegraph.co.uk/news/worldnews/europe/germany/angela-merkel/11396595/Angela-Merkel-takes-on-worlds-major-crises-Ukraine-and-Islamic-State.html

[8] Ver:

Idem.

[9] Ver:

http://www.themoscowtimes.com/opinion/article/merkel-is-the-unsung-hero-of-ukraine-crisis/516374.html

[10] Ver:

http://www.telegraph.co.uk/news/worldnews/europe/germany/angela-merkel/11396595/Angela-Merkel-takes-on-worlds-major-crises-Ukraine-and-Islamic-State.html

 

About Jessika Tessaro - Colaboradora Voluntária Júnior

Pós-graduanda do curso de Especialização em Estratégia e Relações Internacionais Contemporâneas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). É Graduanda do Curso de Políticas Públicas da UFRGS e bacharel em Relações Internacionais pela Faculdade América Latina Educacional. No presente, desenvolve estudos sobre a geopolítica e a securitização dos Estreitos internacionais e Oceanos.

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