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[:pt]Empresa de segurança identifica ataques cibernéticos da CIA em 16 países e o diretor da agência acusa o WikiLeaks de ser uma “agência de inteligência inimiga”[:]

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Começam a surgir primeiros desdobramentos das revelações do Wikileaks, conhecidas como “Vault 7”, pelas quais foram evidenciadas diferentes metodologias e táticas usadas pela Agência Central de Inteligência (CIA) para contaminar computadores e dispositivos eletrônicos ao redor do mundo, utilizando malware, exploits de zero day, trojans e vírus. Talvez a mais importante das revelações seja a trova de documentos conhecida como “Marble”, como foi reportado aqui, em que a CIA mascarava seus ataques como de outras agências e grupos, livrando-se da responsabilidade e incriminando terceiros.

A empresa americana de segurança cibernética Symantec divulgou na segunda feira (dia 10 de abril) que as táticas usadas por um grupo até então considerado independente, conhecido como “Longhorn”, são as mesmas descritas pelos documentos vazados do Wikileaks. Segundo a Symantec, o malware fabricado pelo Longhorn era atualizado em datas muito próximas de quando atualizações sugeridas pelo Vault 7 eram divulgadas. Ainda segundo a Symantec, mais de 40 alvos foram infectados, em mais de 16 países, na Ásia, África, Oriente Médio e Europa.

A relação tensa entre a CIA e Wikileaks escalou para um novo patamar na primeira declaração pública do novo diretor da Agência de Inteligência Americana, Mike Pompeo. Segundo o diretor da CIA, “É hora de chamar o WikiLeaks pelo que realmente é – um serviço de inteligência hostil não-estatal freqüentemente instigado por atores estatais como a Rússia”. A declaração de Pompeo é significativa, porque, até então, a comunidade de inteligência norte americana rebatia ou negava as declarações do Wikileaks, tida como uma mídia alternativa, que obtém informações de fontes secretas.

No entanto, classificar o Wikileaks como um serviço de inteligência hostil e depois associa-lo com diferentes atores como a Rússia indica uma mudança drástica na relação da comunidade de inteligência com órgãos midiáticos independentes. Pompeo ainda declarou que o “WikiLeaks anda como um serviço de inteligência hostil e fala como um serviço de inteligência hostil. Ele incentivou seus seguidores a encontrar empregos na CIA, a fim de obter inteligência… E concentra-se esmagadoramente nos Estados Unidos, enquanto procura apoio de países e organizações antidemocráticas”.

É interessante notar que Pompeo não comentou a respeito dos recentes elogios que o presidente Trump fez a Julian Assange, fundador do WikiLeaks, quando este divulgou uma série de documentos a respeito da rival de Trump nas eleições de 2016, Hillary Clinton. O próprio Pompeo já comentou e fez um link para o WikiLeaks em um tweet que foi deletado, atacando o partido democrata, na época em que era congressista republicano. No entanto, o WikiLeaks recuperou e publicou o tweet de Pompeo.

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Imagem 1Diretor da CIA, Mike Pompeo” (FonteBy Office of the Presidentelect. CC BY 4.0):

https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=54202516

Imagem 2Elogios de Trump ao WikiLeaks” (Fonte):

https://twitter.com/realdonaldtrump/status/786201435486781440

Imagem 3Tweet deletado de Pompeo” (Fonte):

http://archive.is/p0ij6

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About Breno Pauli Medeiros - Colaborador Voluntário Júnior

Mestrando em Ciências Militares pela Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (ECEME). Formado em Licenciatura e Bacharelado em Geografia pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Desenvolve pesquisa sobre o Ciberespaço, monitoramento, espionagem cibernética e suas implicações para as relações internacionais. Concluiu a graduação em 2015, com a monografia “A Lógica Reticular da Internet, sua Governança e os Desafios à Soberania dos Estados Nacionais”. Ex bolsista de iniciação científica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), período no qual trabalhou no Museu Nacional. Possui trabalhos acadêmicos publicados na área de Geo-História e Geopolítica.

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