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[:pt]Criação do Ciber-Exército Alemão[:]

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No dia 1º de abril, a Ministra de Defesa alemã, Ursula von der Leyen, criou o Exército Cibernético alemão, como uma nova ramificação das forças militares do país, conhecidas como Bundeswehr, em paralelo com o Exército, a Marinha, a Força Aérea, o Serviço Médico Conjunto e o Serviço de Apoio Conjunto. O Exército será chamado “Comando de Ciberespaço e Informação” (KdoCIR), e será liderado pelo general Ludwig Leinhos.

O KdoCIR terá a responsabilidade de defender a Alemanha contra os diversos ciberataques que as Forças Armadas vêm sofrendo. A necessidade do Exército Cibernético provém da intensidade e frequência com a qual as Forças alemãs vêm sendo atacadas. Segundo o jornal Deutsche Welle, já foram mais de 284 mil ataques de fontes online, só nas primeiras seis semanas do ano. O que torna as Forças Armadas um alvo tão desejado são, além dos seus segredos militares, as armas controladas por tecnologia da informação e sistemas computadorizados.

Como não é uma subdivisão de uma Força específica, e sim uma outra que atua em paralelo com as demais, o Comando de Ciberespaço e Informação terá sua própria estrutura organizacional, e irá centralizar cerca de 13.500 militares e civis que trabalham com defesa cibernética na Alemanha. Além disso, a Bundesweh vem buscando contratar especialistas em TI e tenta criar a imagem de ser um empregador de tecnologia da informação moderno e atrativo.

O esforço alemão em militarizar sua presença cibernética condiz com a tendência global que vêm sendo observada, principalmente na virada do século XXI, de encarar o espaço cibernético como um ponto estratégico e como a nova face dos teatros de guerra, em conjunto com céu, terra, mar e espaço.

É uma estratégia similar a adotada por países como os Estados Unidos, com o seu United States Cyber Command (USCYBERCOM); a China, com a Unidade 61398 do Exército de Liberação do Povo (61398部队); a Rússia, que, apesar de não ter um nome oficial para o público, possui um Exército cibernético, como foi confirmado pelo ministro de defesa russo Sergey Shoigu; e o Brasil, com o Centro de Defesa Cibernética, o qual faz parte do Programa Estratégico do Exército de Defesa Cibernética. O motivo oficial para a criação destes Exércitos cibernéticos é defender-se, no entanto, vale ressaltar, ele pode ser utilizado de maneira ofensiva.

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Imagem 1 Ministra de Defesa Alemã, Ursula von der Leyen” (Fonte By Simon / MSChttps://www.securityconference.de/mediathek/munich-security-conference-2016/image/ursula-von-der-leyen-5/, CC BY 3.0):

https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=56328865

Imagem 2 Logo do USCYBERCOM” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File%3ASeal_of_the_United_States_Cyber_Command.png

Imagem 3 Ministro de Defesa Russo, Sergei Shoigu” (FonteKremlin.ru [CC BY 3.0]):

http://creativecommons.org/licenses/by/3.0

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About Breno Pauli Medeiros - Colaborador Voluntário Júnior

Mestrando em Ciências Militares pela Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (ECEME). Formado em Licenciatura e Bacharelado em Geografia pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Desenvolve pesquisa sobre o Ciberespaço, monitoramento, espionagem cibernética e suas implicações para as relações internacionais. Concluiu a graduação em 2015, com a monografia “A Lógica Reticular da Internet, sua Governança e os Desafios à Soberania dos Estados Nacionais”. Ex bolsista de iniciação científica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), período no qual trabalhou no Museu Nacional. Possui trabalhos acadêmicos publicados na área de Geo-História e Geopolítica.

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