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Com Rússia, Turquia inicia a construção de sua primeira usina nuclear

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Em evento realizado em 10 dezembro, na cidade de Mersin, na costa do Mar Mediterrâneo, a Turquia anunciou o início dos trabalhos de construção de sua primeira usina de energia atômica. Espera-se que a partir de 2023, prazo estipulado para a inauguração, a usina de Akkuyu produza cerca de 35 bilhões de quilowatts-hora (kWh), o suficiente para suprir o consumo elétrico de 7 milhões de residências.

Logo da Rosatom

A um custo total de 22 bilhões de dólares, o projeto será realizado pela Rosatom, companhia estatal de energia nuclear da Rússia. De acordo com um plano de cooperação firmado junto ao Governo turco em 2010, a empresa russa estará à frente da construção, operação e descomissionamento da usina, planejado para ocorrer após 60 anos de funcionamento. Depois da cerimônia de lançamento, o Diretor-Geral da Rosatom, Alexei Likhachev, disse não ser relevante o fato de o empreendimento estar sob responsabilidade da Rússia. Para ele, o projeto “…criará novos empregos e será uma boa garantia econômica para o desenvolvimento das relações russo-turcas”. De acordo com o subsecretário do Ministério de Energia e Recursos Naturais da Turquia, Fatih Dönmez, a usina de Akkuyu impulsionará a geração de trabalho e renda na região. “Cerca de 10 mil pessoas serão empregadas durante a construção de Akkuyu […] e cerca de 3.500 empregos serão fornecidos durante a operação. A maioria será composta por cidadãos turcos”, disse.

A retomada da cooperação energética entre Ancara e Moscou é mais um aspecto relevante do início das obras em Marsin. O desenvolvimento esteve suspenso por um ano em decorrência da derrubada de um avião de combate russo pela Força Aérea turca, em 2015, na Síria. Um outro projeto afetado pelo incidente, a construção do Turkish Stream, também foi reativado em 2017. Trata-se de um gasoduto que conectará a Rússia com a Turquia através do Mar Negro e que possibilitará uma nova rota de abastecimento energético para a Europa.

Mapa da rota do Turkish Stream

Um dos objetivos da Turquia de incluir usinas nucleares em sua matriz elétrica é exatamente o de reduzir a dependência das importações de gás natural, atualmente a principal fonte de energia do país. Já está planejada a construção de mais duas instalações atômicas, uma localizada na cidade de Sinop, na costa do Mar Negro, e outra em lugar ainda não definido. O acordo para a construção e operação da usina nuclear de Sinop foi firmado em 2013 e ficará sob a responsabilidade do consórcio franco-japonês Areva/Mitsubish

Este plano de diversificação, no entanto, não diminui o papel da Rússia como o principal player regional quando o assunto é energia. Maior fornecedor de gás para o continente europeu, e também para a Turquia, os russos agora planejam se valer de sua expertise nuclear para impulsionar um modelo de negócios global. A Rosatom já é líder mundial em seu setor e administra a construção e operação de usinas nucleares em 12 países, incluindo Finlândia e Hungria, ambos membros da União Europeia.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Usina Nuclear de Sibirskaya, operada pela Rosatom” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Sibirskaya_Nuclear_Power_Plant#/media/File:Cooling_Towers_Seversk.jpg

Imagem 2Logo da Rosatom” (Fonte):

https://ru.wikipedia.org/wiki/%D0%A0%D0%BE%D1%81%D0%B0%D1%82%D0%BE%D0%BC#/media/File:RosAtom_logo_rus.jpg

Imagem 3Mapa da rota do Turkish Stream” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Turkish_Stream#/media/File:Turkish_Stream.png

Rodrigo Monteiro de Carvalho - Colaborador Voluntário

Mestrando no programa de Pós Graduação em História Comparada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e graduado em História também pela UFRJ. Atua na área de Política Internacional, formação de alianças e segurança regional. Desenvolve pesquisas com enfoque específico no estudo dos países do Cáucaso do Sul, Eurásia e espaço pós-soviético. É membro do Grupo de Pesquisas de Política Internacional (GPPI/UFRJ) e do Laboratório de Estudos dos Países do Cáucaso (LEPCáucaso).

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