China lança Missão Chang’e-3 para a Lua

Processo da Alunagem Suave de Chang'e-3(1)
Processo da Alunagem Suave de Chang'e-3(1)
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Seis meses depois do sucesso da “Missão Tripulada Shenzhou 10” ao Espaço[1], nesta segunda-feira (2 de dezembro) a China lançou a sua primeira sonda espacial para a Lua a partir do CLS (“Centro de Lançamento de Satélites de Xichang”, na “Província de Sichuan”, no Sudoeste do país). Apelidada de Chang’e-3 (em honra à Chang’e, “Deusa da Lua”, na mitologia chinesa), a missão visa efetuar análises da estrutura geológica e das substâncias da superfície da Lua e pesquisar recursos naturais[2].

Pouco tempo depois da sonda entrar em órbita, o diretor do “CLS de Xichang”, Zhang Zhenzhong, disse que o lançamento tinha ocorrido com sucesso. E, muito satisfeito, ele acrescentou: “Faremos o possível para que o nosso Sonho Espacial [seja também o] Sonho Chinês de Rejuvenescimento Nacional[2].

Na verdade, é a terceira vez que o “Programa Lunar Chinês Chang’e”, iniciado em 2004, manda à Lua uma missão não tripulada. A primeira, Chang’e-1, aconteceu em 2007 e a segunda, Chang’e-2, em 2010. A missão à volta da Lua da Chang’e-1 durou 494 dias. Ela permitiu aos cientistas chineses que tivessem uma composição completa do satélite terrestre. Por sua vez, a Chang’e-2 não só verificou algumas tecnologias cruciais para a Chang’e-3 como também fez o reconhecimento da área de alunissagem (que deverá ocorrer na “Baía do Arco-Íris”). A segunda missão também fez a primeira imagem holográfica lunar do mundo, com uma resolução de 7 metros[2].

Neste momento, a Chang’e-2 situa-se a uma distância de 60 milhões de Km da Terra e espera-se que vá mais longe, até 300 milhões de Km, o que se constituirá na nave espacial chinesa que mais viajou pelo Espaço. É o primeiro asteróide artificial da China[2].

Segundo os especialistas internacionais em Astronomia, o processo do lançamento da Chang’e-3 prova que oPrograma Lunar da Chinaé consistente e demonstra que este país fará mais avanços e descobertas importantes nesta área, os quais permitirão evidentemente que o gigante asiático faça parte do grupo muitíssimo restrito dos países que exploram o Espaço, em que os “Estados Unidos da América” (EUA) e a Rússia lideram. Se a “Missão Chang’e-3 correr como programado, a China será a terceira nação no mundo a desembarcar um veículo na Lua, depois dos EUA e Rússia. Também será o primeiro país a cometer tal proeza no século XXI, pois isso não acontece desde 1976, quando a “Ex-União Soviética” mandou a sua missão não tripulada à Lua[3].

Fontes chinesas e não chinesas mostram que o “Programa Lunar da China” é composto por várias fases. Depois das missões de averiguação em 2007 e 2010, a “Missão Chang’e-3” constitui a segunda fase, que é pesquisar o solo e o subsolo da lua. A terceira etapa (Chang’e-4) pode ter lugar em 2017 e basicamente consistirá na alunissagem da sonda na Lua que libertará o veículo lunar motorizado e, depois, a sonda retornará à Terra[1]. Acredita-se que entre 2025 e 2030 a China já terá criado todas as condições para mandar à Lua o seu primeiro astronauta[4].  

A alunissagem da sonda na “Baía do Arco-Íris” (uma área no norte da Lua) acontecerá nos meados deste mês de dezembro. Seguir-se-á depois o processo da libertação do veículo lunar motorizado com 140 Kg que se chama Coelho de Jade”*. Mas os maiores desafios serão, dentre outros, ser capaz de fazer a alunissagem “suave” (“soft landing”, em inglês), poder sobreviver na Lua e fazer funcionar a controle remoto.

Estes avanços acontecem numa altura em que a China vem exibindo a sua musculatura militar na região. Por exemplo, recentemente, ao estabelecer a “Zona de Identificação de Defesa Aérea” junto ao “Mar da China do Leste”, Pequim antagoniza os vizinhas Tóquio, Seoul, Taipei (Taiwan) e as distantes Camberra (Austrália) e Washington. Por isso, o lançamento da Chang’e-3,  além de levar o país a expandir e melhorar a sua capacidade tecnológica e o desejo de aproveitar os recursos naturais que provavelmente abundam na Lua, vem também impulsionar o prestígio nacional chinês no mundo. 

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* Yutu, em chinês, sendo este nome escolhido por cerca de 650.000 internautas entre setembro e outubro deste ano[5], em honra ao nome do coelho que Chang’e teria levado com ela para a lua.

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Imagem (Fonte):

http://www.globaltimes.cn/SPECIALCOVERAGE/Change3.aspx

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.jornal.ceiri.com.br/a-china-lanca-a-quinta-missao-espacial-tripulada/

[2] Ver:

http://www.chinadaily.com.cn/china/2013shenzhoux/2013-12/02/content_17143654.htm

[3] Ver:

http://www.bbc.co.uk/news/25141597

[4] Ver:

http://news.xinhuanet.com/english/2009-05/24/content_11425131.htm

[5] Ver:

http://english.cri.cn/6909/2013/11/26/2701s800495.htm


Jorge Nijal (Moçambique) - Colaborador Voluntário

 
De Nacionalidade Moçambicana, é mestrando em História do Mundo no Instituto de Estudos Africanos da Universidade Normal de Zhejiang, na China. Graduado em História pela Universidade Eduardo Mondlane em Maputo (2007). Possui experiência na docência de disciplinas de História Geral e da África Austral. Interesses: História de Moçambique, relações China-Moçambique, política externa chinesa no nordeste e sudeste da Ásia, relações China-África, cultura cibernética popular na China. Fala Português, Inglês, Francês e conhecimento razoável de chinês.