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Candidato mais cotado à Presidência mexicana pode mudar relações com os EUA

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De acordo com o Jornal New York Times, Andrés Manuel López Obrador, o candidato mais cotado à Presidência mexicana, é esquerdista, combativo e inflexível, sua campanha tem se baseado em transparecer uma personalidade honesta e nacionalista, podendo estabelecer um relacionamento incomum com seu vizinho do norte, caso ele ganhe as eleições em 2018.

López Obrador vem pregando uma posição de “México-first” (tal como Donald Trump em sua campanha nos EUA), acusando o atual governo de se curvar a Washington e criticando o livre comércio entre ambos os países, o qual ele diz ter devastado as fazendas e os trabalhadores mexicanos. O apelo do presidente Trump para reduzir os laços econômicos dos EUA com o México combina com sua demanda para tornar o país menos dependente.

Andrés Manuel López Obrador foi proclamado ‘Presidente legítimo do México’ pelos seus apoiadores, em 2006. Esta designação é puramente simbólica e não tem força legal

Especialistas especulam que, se Trump ameaçar destruir o Acordo de Livre Comércio da América do Norte (NAFTA), López Obrador, como Presidente, aceitará a proposta estadunidense. Entretanto, nas últimas semanas o candidato atenuou suas críticas ao pacto comercial antes das eleições presidenciais que ocorrerá em 1º de julho de 2018, e até mesmo expressou algum apoio e meios de renegociar o NAFTA com os EUA.

Levando em consideração uma possível modificação dos laços dos EUA com o México, López Obrador, como Trump, não hesita em tratar abertamente de assuntos polêmicos ou de dar declarações pelo Twitter que são consideradas pelos analistas como impulsivas. Ambos fizeram campanha como outsiders políticos, Trump falando de “drenar o pântano” em Washington, enquanto o candidato ataca o que chama de “a máfia do poder” que governa o México.

Seria um relacionamento estranho, nunca antes visto”, disse Jose Fernandez Santillan, professor de ciência política do Instituto Tecnológico de Monterrey, uma das principais universidades mexicanas. “Seriam dois nacionalismos completamente diferentes: o nacionalismo de direita de Trump e o nacionalismo de esquerda de López Obrador”.

Esta é a terceira tentativa de López Obrador para a Presidência do México. Seus apoiadores ainda afirmam que ele perdeu a primeira vez por fraude na contagem de votos, alimentando a divisão de sua atual campanha. Após essa perda em 2006, seus eleitores bloquearam ruas na Cidade do México durante meses de protestos e López Obrador se referiu a si mesmo como o “presidente legítimo” do país.

Atualmente com 64 anos, o candidato do partido Movimiento Regeneración Nacional (Morena) moderou suas propostas de política, dizendo que quer fazer amigos, não inimigos, mas ele ainda insiste que não mudou seu caráter. “Eu nunca vou mudar. Isso é o que é mais importante para mim na minha vida: minha honestidade, minha autenticidade”, disse Lopez Obrador. Em junho de 2017, seu partido registrou oficialmente uma coalizão conhecida como “Juntos Haremos Historia” (Juntos Faremos História), com o Partido del Trabajo (PT) e o Partido Encuentro Social (PES).

Em um país visto como obcecado com a corrupção do governo e pelas promessas não cumpridas, ele é amplamente acreditado para ser o candidato menos comprometido com os conchavos políticos. Além disso, ele é visto como uma pessoa irascível, difícil de negociar e que insiste em sua própria honestidade pessoal. Em seus comícios geralmente utiliza discursos de massa. Por isso, está sendo apontado que o resultado da união dessas características é um seguimento semelhante a um culto entre os seus apoiadores.

Quando era prefeito da Cidade do México, no início dos anos 2000, alimentou essa imagem de fala direta, homem do povo, dirigindo um carro popular da Nissan. “Ele permanece o mesmo. Ele é uma pessoa com humildade e ele permanecerá assim, mesmo que ele ganhe a presidência. Ele é um homem do povo e ele vai lutar pelo povo”, afirmou Silvia Rodríguez, uma dona de casa que veio com seus três filhos dos subúrbios pobres da Cidade do México para assistir a um dos comícios de Lopez Obrador. Por mais heroico que seja, é uma postura que muitas vezes o deixa vagamente sozinho e obcecado com alguns críticos que o chamam de messiânico.

Na introdução de um novo documentário sobre sua vida, intitulado como “Este soy yo” (Este sou eu), López Obrador é acompanhado em uma viagem de volta a sua cidade natal por velhos amigos e apoiadores. Mas eles nunca falam no documentário e seus antigos vizinhos quase não se expressam sobre o candidato. Há fotos de seus irmãos, mas ele está afastado da maioria deles.

Ele tem uma liderança forte até agora nas pesquisas, mas as eleições ainda estão a mais de seis meses de distância e a campanha está se formando como uma corrida do primeiro-turno que envolve de três a cinco proeminentes candidatos. Além disso, ele pode ser propenso a cometer atos considerados gafes de campanha. Por exemplo, recentemente causou polêmica ao sugerir a possibilidade de uma anistia para os líderes de cartéis de droga.

Partidos que formam parte da coalizão ‘Juntos Faremos História’

Apesar da inclinação de López Obrador pelo combate verbal com seus oponentes, ele até agora foi restrito a falar de Trump, cuja referência aos mexicanos como estupradores e criminosos o tornou um alvo fácil no México. Imediatamente após a vitória do candidato republicano, López Obrador declarou que era uma realidade que incomodava, mas era necessário seguir em frente e avançar. Sua estratégia política, no entanto, se afasta do confronto. “Queremos ser amigos. Pediremos um novo diálogo, desde um ponto de vista de cordialidade e respeito mútuo, como bons vizinhos”.

Contudo, o candidato busca se distanciar das comparações com o atual Presidente estadunidense. Analistas acreditam que durante as eleições presidenciais em 2006 e 2012, ele perdeu depois de rivais compará-lo com outro líder impopular no México, o venezuelano Hugo Chávez.

Eles estão tentando assustar as pessoas chamando-nos de populistas, ou comparando-nos com o atual presidente venezuelano Nicolas Maduro ou Trump”, disse Lopez Obrador em uma mensagem gravada em vídeo, em junho passado. “Diga-lhes que deem uma volta, não tenha medo. A mudança será pacífica e ordenada. O único que queremos é acabar com a corrupção, que as pessoas tenham empregos, tenham segurança pública, tenha bem-estar para todos”.

Apesar de, geralmente, ser uma pessoa enérgica e impositiva, como prefeito da Cidade do México, ele governou como moderado, mantendo boas relações com o setor privado e a Igreja Católica Romana. “No poder, López Obrador certamente se pareceu mais a um político pragmático de centro-esquerda do que Hugo Chávez”, disse Federico Estevez, professor de ciência política do Instituto Tecnológico Autônomo do México. “Ele não era particularmente ideológico na maioria de sua política. Você poderia fazer negócios com ele”.

O ponto de convergência entre Trump e López Obrador está no ceticismo sobre o NAFTA. Ambos pediram a renegociação de um acordo que dizem ter prejudicado a classe trabalhadora em seus países.

Trump quer aumentar o conteúdo dos Estados Unidos em automóveis sob as regras do NAFTA e impedir a migração de fábricas de automóveis para o México. Lopez Obrador proibiria a propriedade estrangeira de recursos de petróleo e energia e tentaria tornar o México mais autossuficiente – em parte, pressionando por maior reinvestimento na companhia estatal de petróleo, a fim de reduzir as importações de combustível dos EUA.

Entretanto, mesmo que ele já tenha culpado o Tratado de ter devastado agricultores mexicanos, afirma agora que “o NAFTA, apesar de todos os seus defeitos, provou ser um instrumento útil para o desenvolvimento de relações comerciais e econômicas”.

O historiador Lorenzo Meyer destacou que López Obrador está fazendo uma campanha para resolver os próprios problemas que tornaram o México um alvo fácil para Trump, como a corrupção e a ineficiência do Estado, que provocou a migração de milhões de mexicanos para o exterior.

Portanto, sua principal promessa é combater a corrupção. Esta é uma bandeira que acabou se tonando o epicentro de sua política populista no país. “Dado que nossa elite empresarial e política não tem nada a oferecer senão mais do mesmo, isto é, o que eles fizeram há 25 anos, Lopez Obrador não precisa oferecer muito”, disse Estevez, um de seus apoiadores. “Ele só tem que se sentar e deixar as coisas acontecerem, e dizer que ele é o único que poderia parar ou desmantelar a corrupção e colocar as coisas em ordem”.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Andrés Manuel López Obrador buscará a Presidência través de da coalizão Juntos Haremos Historia, em 2018” (Fonte):

https://es.wikipedia.org/wiki/Andr%C3%A9s_Manuel_L%C3%B3pez_Obrador

Imagem 2Andrés Manuel López Obrador foi proclamado Presidente legítimo do México pelos seus apoiadores, em 2006. Esta designação é puramente simbólica e não tem força legal” (Fonte):

https://es.wikipedia.org/wiki/Andr%C3%A9s_Manuel_L%C3%B3pez_Obrador

Imagem 3Partidos que formam parte da coalizão Juntos Faremos História” (Fonte):

https://es.wikipedia.org/wiki/Andr%C3%A9s_Manuel_L%C3%B3pez_Obrador

Tainan Henrique Siqueira - Colaborador Voluntário

Mestrando em Direito Internacional pela Universidade Católica de Santos. Graduado em Relações Internacionais pela Universidade Católica de Santos. Experiência acadêmica internacional na Cidade do México e atuação profissional no Consulado do Panamá e no Turismo Nuevo Mundo. Concluiu trabalho de extensão sobre Direitos Humanos e Refugiados, iniciação científica na área do Direito Internacional e da Política Externa Brasileira, sendo esta segunda iniciação premiada em terceiro lugar entre as áreas de ciências humanas e ciências sociais aplicadas da UniSantos em 2015. Atuou como Monitor na disciplina de Teoria das Relações Internacionais­I, durante o último semestre de 2015. Atualmente é monitor e pesquisador do Laboratório de Relações Internacionais da UniSantos em parceria com o Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas (LARI­IPECI), onde auxilia no desenvolvimento de projetos semestrais pautados por três frentes de pesquisa: 1) Direitos Humanos, Imigração e Refugiados; 2) Política Internacional e Integração Regional; e 3) Relações Internacionais, Cidades e Bens Culturais. Tem objetivo de seguir carreira acadêmica.

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