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[:pt]A questão de um possível papel mediador para a China no cenário internacional[:]

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Na semana passada, o chanceler palestino Riyad Al Malki se encontrou com o seu homólogo chinês, Wang Yi, na cidade de Beijing, encontro no qual foram discutidos temas de interesse comum e um aparente apoio chinês sobre a tese do Estado Palestino.

Para os chineses, a questão discutida entre israelenses e palestinos não engrena por falta de força interna em ambas as partes e isso também pode ter a influência de atores externos com interesses na região. Para Beijing, falta mais ação entre os líderes palestinos e israelenses em prol de uma solução pacífica para a criação de dois Estados, posição que significa um apoio à proposta dos países árabes para solução dos impasses locais.

Wang Yi reiterou que a criação do Estado da Palestina deve ser baseada na demarcação de 1967, tendo Jerusalém do Leste como capital e usando dos eventos históricos da região para poder chegar a um consentimento entre Israel e Palestina, sendo esta a forma de solucionar suas divergências territoriais. Para ele, a China nunca teve interesse na região, por isso os chineses se sentem mais tranquilos em opinar sobre o que poderia ser uma melhor solução para chegar a um consenso, excluindo-se totalmente o uso da força.

Historicamente, a China nunca apresentou movimentos que mereçam atenção internacional na região e, nos últimos anos, ela concentrou mais esforços no Continente Africano e em países latino-americanos, com os quais tem interesses comerciais. Nesse sentido, a China vir a apoiar um ou outro lado na questão da palestina ainda preserva uma certa dúvida, pois deixa em aberto sobre qual seria esse apoio e a força que dedicaria a ele, levando-se em conta o exemplo da atuação na Península coreana, em que se cobra muito do Estado chinês, que tem sido visto com atuação tímida, sem pressionar efetivamente Pyongyang.

O presidente chinês Xi Jinping mantém sua agenda focada nas regiões de administração especial do país, como Hong Kong, cuidando de assuntos internos e da manutenção das boas relações entre as diversas etnias que compões a Republica Popular da China, mas não deixou a política internacional de fora de seus compromissos. Por exemplo, por telefone, ele discutiu sobre a Península Coreana e sobre o caso da Síria com o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

A conversa não foi muito detalhada para a imprensa, mas, em resumo, o Mandatário chinês afirmou que apoia a intenção estadunidense de desnuclearizar a Coreia do Norte, desde que seja por meios pacíficos. Também foi disseminado que ele que não aceita o uso de armas químicas na Síria, porém, deixou claro que os chineses não se sentem confortáveis com a atitude do Presidente estadunidense nos últimos acontecimentos no Oriente Médio.

Ao que tudo indica, para a China, no momento, não é interessante entrar firmemente na mediação de grandes contenciosos pelo mundo. O país mantém a Diplomacia pacífica, focada em manter boas relações com todos os atores da comunidade internacional, a fim de não sofrer reveses em suas relações comerciais e dando total ênfase em seu planejamento econômico.

Especialistas de diversas áreas podem ficar indecisos em suas reflexões quando tentam construir cenários sobre qual será o próximo passo da política externa chinesa, pois, em importantes temas que têm a necessidade de sua influência, ela permanece em observação e realiza entradas leves em assuntos em regiões fora do continente asiático que apresentam grandes complicações, onde estão envolvidas importantes potências globais.

Surge o questionamento sobre se o sistema internacional está necessitando que a China seja um negociador, um mediador, em casos no Oriente Médio, bem como se ela não poderia ser o fator chave para solucionar desentendimentos entre as nações asiáticas. No entanto, é alta a probabilidade de que tais questões permaneçam em aberto pelos próximos anos.

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Imagem 1 Riyad Al Malki (esquerda) e Wang Yi (direita)” (Fonte – Radio China Internacional):

http://portuguese.cri.cn/1721/2017/04/13/1s230237.htm

Imagem 2 Lam Cheng Yuetngor junto do presidente Xi Jinping” (Fonte Xinhua News):

http://news.xinhuanet.com/english/2017-04/11/c_136200446.htm

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About Fabricio Bomjardim - Analista CEIRI - MTB: 0067912SP

Bacharel em Relações Internacionais (2009) e técnico em Negociações Internacionais (2007) pela Universidade Anhembi Morumbi (UAM). Atua na área de Política Econômica com foco nos países do sudeste e leste asiático, sendo referência em questões relacionadas a China. Atualmente é membro da Júnior Chamber International Brasil-China, promovendo as relações sócio-culturais sino-brasileiras em São Paulo e Articulista da Revista da Câmara de Comércio BRICS. Também atuou como Consultor de Câmbio no Grupo Confidence.

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