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[:pt]A medalha de Kosovo e a busca pelo reconhecimento internacional[:]

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Parte da política externa de Kosovo em busca do reconhecimento internacional de sua independência está amplamente ligada pelas vias da diplomacia esportiva. A medalha de ouro conseguida pela judoca Majlinda Kelmendi nas Olimpíadas do Rio de Janeiro coroou, com sucesso, uma parcela da irrompida internacional do país.

A trajetória biográfica da atleta apresenta o fato de ter competido pelo país vizinho, a Albânia, nas Olimpíadas de Londres, em 2012, mas isso se deu devido ao fato de que, como a maioria de 92% da população do país, ela é de etnia albanesa. Sua infância foi vivida em meio a guerra entre o pequeno país balcânico e a Sérvia, entre 1997 e 1999, consistindo sua participação olímpica, bem como a conquista da medalha de outro, em mais uma das várias histórias de superação individual e coletiva que o palco das Olimpíadas conseguiu mostrar ao planeta.

O Comitê Olímpico de Kosovo foi admitido pelo Comitê Olímpico Internacional no ano de 2014, permitindo, assim, a participação nos jogos europeus em Baku, no Azerbaijão, em 2015, bem como nos Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro, Brasil. E isso tem sido essencial a Kosovo, pois o reconhecimento internacional do esporte kosovar aparenta ter uma importância que claramente ultrapassa o universo desportivo, bem como os motivos políticos que o permeiam.

A principal repercussão a curto-prazo da recente conquista nos tatames está sendo, nas palavras da judoca, “provar que a população kosovar, mesmo após sobreviver a guerra […] pode ser campeã olímpica”. Nesse sentido, a vitória coroa a presença em grandes entidades internacionais, algo que facilita o acesso a recursos para que o esporte no país possa ser desenvolvido com a formação de atletas, técnicos e demais profissionais presentes na atividade desportiva.

Esses componentes são essenciais para que Kosovo consolide cada vez mais sua independência, obtendo o reconhecimento, especialmente na Europa. Contudo, a turbulenta história separatista dentro do continente europeu inviabiliza que isso ocorra em todas as suas expressões e por vários Estados europeus. Um exemplo ocorre com a Espanha, que tem um grande receio com separatismos de regiões em seu território.

Por essa razão, a participação efetiva em entidades mundiais do meio esportivo, com vitórias em grandes eventos, permite a entrada diplomática de Kosovo em países que vivem situações semelhantes ao da Espanha, uma vez que estes, como dito, têm receio em relação aos próprios separatismos internos, algo que os predispõem a recuar em relação a qualquer reconhecimento. Nesse sentido, a delegação kosovar, consistindo de oito membros, e a presença do Presidente do país, Hashim Taçi, na cerimônia de abertura das Olimpíadas do Rio de Janeiro – 2016, também serviram de marco político para o país.

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Imagem (Fonte):

http://www.noc-kosovo.org/?page=1,63

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About Matheus Felten Fröhlich - Colaborador Voluntário Júnior

Mestrando em Ciências Sociais pela PUC-RS. Bacharel em Relações Internacionais (2014), pelo Centro Universitário Univates de Lajeado - RS, realizou estudos em Segurança Internacional na Högskolan i Halmstad em Halmstad, Suécia (2013). Áreas de interesse em pesquisa são em Política Internacional, Segurança Internacional, Península Balcânica e etnias nas Relações Internacionais.'

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