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[:pt]A China anuncia a construção de uma zona econômica três vezes maior que a área de Nova York[:]

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A criação de zonas econômicas especiais é um fator estratégico no modelo de desenvolvimento da China, tendo sido largamente utilizado durante a abertura econômica iniciada no Governo de Deng Xiaoping (1978-1989), período que impulsionou as reformas e a maior integração do país à economia global. A cidade de Shenzhen é um exemplo emblemático desta estratégia.

Shenzhen se tornou uma zona econômica especial nos anos 1980 e é atualmente considerada como o Vale do Silício da China no que diz respeito à produção de hardware, tendo se tornado um polo de inovação. Destaca-se que a cidade apresentou um crescimento do PIB de 9% no ano de 2016, um ritmo mais acelerado do que a média nacional e mais intenso do que o que se verificou em Pequim e em Shangai.

Baseado no exemplo de Shenzhen, o Governo chinês anunciou neste ano (2017) a criação de uma zona econômica especial localizada no distrito de Xiongan, com uma extensão de 2000 quilômetros quadrados, o que corresponde a uma área três vezes maior que o território de Nova York. Este território será articulado em um triângulo de integração urbana compreendendo Pequim-Tianjin-Hebei, província na qual está localizado o distrito de Xiongan. Espera-se que a nova região assuma algumas das atividades econômicas de Pequim, sobretudo no que tange a produção de bens intermediários e atividades subsidiárias, visando a redução de custos na capital.

Paralelamente a isto, observa-se o desenvolvimento de polos de inovação, tais como o que se estende na cidade de Cantão (Guangzhou), centrados na produção de software para smartphones e Big Data. Guangzhou é a terceira maior cidade da China, cuja tradição em comércio remete aos antigos trajetos da Rota da Seda. No período recente, a cidade ganhou proeminência por ser atrativa para empresas estrangeiras e possuir vantagens logísticas ligadas a um porto altamente desenvolvido. No momento, a cidade vive uma transformação que é simbólica do estado da economia chinesa como um todo. Centros de pesquisa e desenvolvimento passaram a emergir, transformando o caráter econômico deste espaço urbano.

Estes fatos remetem à discussão acerca da dimensão espacial do desenvolvimento. A proximidade física e a integração entre empresas, fornecedores, produtores intermediários, instituições de pesquisa e universidades podem suscitar externalidades positivas para novos negócios, tais como ideias, inovação e diversificação produtiva. Se bem conduzido, este processo pode dar início à formação de um cluster ou aglomerado industrial, possibilitando a formação de economias de escala e a condução de estratégias empresariais (mesmo de internacionalização), que não poderiam ser realizadas se as empresas agissem individualmente.

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Imagem 1 Imagem estilizada simbolizando a indústria chinesa” (Fonte):

https://c1.staticflickr.com/4/3677/11286011483_9a9a3a1a14_b.jpg

Imagem 2 Cidade de Shenzhen” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/d/d7/Shenzhen_CBD_and_River.jpg

Imagem 3 Província de Hebei” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/3/30/Hebei_in_China_%28%2Ball_claims_hatched%29.svg/2000px-Hebei_in_China_%28%2Ball_claims_hatched%29.svg.png

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About Ricardo Kotz - Colaborador Voluntário

Mestrando no programa de Pós Graduação em Relações Internacionais pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), atuando na linha de Economia Política Internacional. Possui especialização em Estratégia e Relações Internacionais Contemporâneas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Graduado em Relações Internacionais pela Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA). Agente consular junto ao Consulado Honorário da França em Porto Alegre, atuando paralelamente no escritório RGF Propriedade Intelectual, no período de 2013-2015.

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